por Orivaldo Fonseca (*)
É lá vou eu dar mais um salto no escuro. Lá vou eu mergulhar até o fundo da caixa de Pandora. Mas que medo que dá! E aliado à ingenuidade que faz apostar naquilo que penso conhecer está o meu fraco pelas mulheres. Nem jogo nem droga nem álcool são capazes de me viciar, mas as mulheres! Lá vou eu para mais um salto.
Em 1982, antes mesmo de ter idade para votar, deixei-me iludir pelo discurso de liberdade, pela coragem de peitar o coronelíssimo Jarbas Passarinho e pela jovialidade de Jader Barbalho. Eu não estava sozinho. Até há pouco tempo eu guardava um cartaz da época em que figurava nada menos que Chico Buarque segurando uma foto de Barbalho com os dizeres: “TRAGO NO PEITO A CHAMA DA VITÓRIA!”. Jader Barbalho roubou de nós a confiança nos homens de boa vontade. Depois, roubou de nós muito mais que isso.
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Na campanha presidencial de 1994, testemunhei Lula jogar os cachorros sobre o traíra Barbalho, diante do Memorial da Cabanagem, obra do comunista Niemeyer em Belém. Recentemente, tive de engolir a seco a cena odiosa de Lula beijando a mão de Barbalho, cena esta que fez o escritor João Ubaldo Ribeiro escrever que “agora podemos dizer que já vimos tudo neste mundo”.
Que bom seria que João Ubaldo estivesse certo. O PT consegue provar que o pior está sempre por vir. Quando o partido vende a alma para livrar a pele carcomida de Sarney, quando Aloizio Mercadante cede às chantagens do Planalto e se mantém na liderança de um partido desfigurado, quando os conselheiros mais íntimos de Lula são aqueles para os quais o candidato Luis Inácio pedia cadeia, vê-se que ainda não vimos tudo.
Mas a decepção com eles nem se compara à com elas. Elas são o meu fraco. Eu cri em Zélia Cardoso de Mello, e a malvada me bateu a carteira. Cri em Marta Suplicy, e esta me mandou relaxar. Ana Júlia Carepa me seduziu com aquele canto de mulher engajada, e, agora, é isso que se vê. Quanta traição! Será que eu fui sempre o último a saber?
E eis que agora mais uma me acena, e eu respondo satisfatoriamente ao convite. Aí vou eu para mais um salto: EU QUERO MARINA SILVA PRESIDENTA DO BRASIL! Pronto, falei.
Por várias vezes me perguntei angustiado: o que faz essa mulher nesse governo? O que faz ela nesse partido? Pois Marina saiu do Governo altiva como entrou, ao ver que o projeto de poder de Lula desviava de rota. Sai agora do PT ao ver que o partido cada vez mais se enlameia ao abraçar os porcos que abraça. Candidata, Marina acena oferecendo qualidade ao debate político e esperança a românticos como eu.
Lá vou eu de novo!
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* É poeta, paraense de Belém, controlador de voo e parceiro musical de Zé Maria Pinto. Mora hoje em João Pessoa (PB).