por Helvecio Santos
Mais de 1.500 pessoas morreram nas águas geladas do oceano e cerca de 700 tiveram sorte. Salvaram-se!
O comprimento de um campo de futebol gira em torno de 110 metros. O Titanic, verdadeira cidade flutuante, tinha 269 metros de comprimento. Era quase 2,5 campos de futebol, com faraônicas instalações e todo conforto que os melhores navios da época nem sonhavam em ter, onde orquestras transformavam o balanço das ondas em impulso massageador dos passos de valsa.
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Para uma viagem que era uma verdadeira festa, o desfecho foi inacreditável. Em festa, o navio foi a pique e mergulhou para sempre, fazendo do fundo do oceano sua morada.
Bom, por que relembro essa tragédia?
Porque o Brasil de hoje em muito me lembra o Titanic. Em festa, estamos afundando.
A água já está cobrindo o nariz e o povo pulando como doido. Carnaval, chopp, blocos, mais chopp, escolas de samba e mais chopp.
Como diz o oráculo das letras, Ademar Amaral, “alegria programada” que anestesia o povo que depois vai chorar sobre “cinzas” na quarta feira.
No ritmo do “bumbumpaticumbrumprugrundum”da bateria das escolas de samba e dos blocos, todos patrocinados com verba pública, o Brasil afunda.
Não! Eu não aceito não ter dinheiro para o básico, como saúde, transporte, merenda escolar e pagamento dos funcionários e ter dinheiro para o Carnaval e, no caso do Rio, Olimpíadas.
A nossa Presidente, por sugestão do seu “guru”, Delfim Neto, compareceu ao início dos trabalhos (?) do Legislativo e lá, basicamente, a única coisa que fez foi tentar dividir com o Legislativo a lambança que fez nas contas públicas, além de dizer que a salvação da pátria é a imposição de mais imposto e taxas, entre eles a malfadada CPMF, num cenário em que a taxação direta já passa dos 40% (quarenta por cento).
Foi lá dizer que é imprescindível a imposição de mais impostos e a reforma da Previdência, e nisso trabalha (?) com afinco. O interessante é que não tossiu nem mugiu sobre mudanças na “cozinha” deles. Nisto não se fala! Nada de mexer nas arábicas mordomias. Tudo fica como está, pois quem tem que pagar a conta da gastança é o povo.
A Presidente deveria dar o exemplo, mas não. Ela continua flanando no Aerolulla nos céus do Brasil e do mundo, o que é acompanhado pelos chefes dos outros poderes, em aviões da FAB.
Se a reforma da aposentadoria dos trabalhadores é necessária, que dizer da necessidade de reforma da aposentadoria e pensão de ex-parlamentares, ex-governadores, ex-presidentes ou suas viúvas que mamam nas “tetas”, não importando quanto tempo ficaram no olimpo. Que dizer dos carros e mais carros oficiais para servir suas excelências. O mesmo se pode dizer das passagens de Brasília para o domicílio eleitoral a rodo e a verba de gabinete e de representação de fazer o Satanás corar de vergonha, e por aí vai.
Só para exemplificar, há dias a Presidente foi visitar a filha e o neto que recém nascera. O “Aerolulla” ficou estacionado na Base Aérea de Canoas e em comitiva se deslocou para o dito local. No dia seguinte apareceu pedalando (agora pedalando mesmo) na orla do Guaíba, com séquito de seguranças. Quanto nos custou a visitinha?
Querem outro exemplo de desperdício de dinheiro? Recentemente a Presidente empossou e após reuniu o tal do “Conselhão”, que nem ela mesma sabe para o que servirá e provavelmente será a única reunião que terá ao longo do seu governo. Lá se foram, se não me falha a memória, 80 pessoas, de sindicalistas da CUT a integrantes do MST, empresários e até o ator Wagner Moura compõem a claque. Foi despesa com passagens de avião, deslocamento em Brasília, hospedagens, almoços, tudo pago por nós e haja blá, blá, blá.
Só para comparar, recentemente a OMS (Organização Mundial da Saúde) reuniu cientistas do mundo inteiro para debater sobre o zica, usando o recurso da videoconferência. Será que a Presidente não conhece esse recurso? Economizaria uma boa grana para o Brasil se usasse o recurso no “Conselhão”.
Mas, não! Dane-se os cofres públicos! A Presidente alimenta-se de aplausos, hoje tão raros, então não dá para desperdiçar a oportunidade e para isso tem que haver dinheiro. Não?
E os ministérios? Quando ela irá diminuí-los? Ou será que os apaniguados, derrotados nas últimas eleições, ainda precisam da boquinha ou bocão?
Enquanto isso, vamos de Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e outras “esmolas” para iludir o povo e que não soma na economia do país. Dizer que tiraram milhões da miséria é balela, pois no dia em que faltar o Bolsa, no outro dia todos estarão passando fome novamente.
Na verdade isso é um saco sem fundo, assistencialismo que desestimula a procura de emprego nesse socialismo tupiniquim, viciante, que cria dependentes do Estado e, com isso, votos de cabresto.
Qualquer pessoa que for às máquinas de auto atendimento da Caixa Econômica Federal verá que na tela do equipamento há propaganda de que agora, no celular ou outro aparelho eletrônico, estão disponíveis informações sobre o Bolsa Família. Que povo miserável é esse que tem dinheiro para comprar aparelho eletrônico e não tem para comparar comida?
Com uma inflação de dois dígitos; juros nas alturas; PIB negativo; péssimas estradas; aeroportos de segunda ou terceira categoria; indústria demitindo empregados; índice de desemprego crescente; obras públicas paralisadas ou paralisando (como está a transposição do São Francisco e a Refinaria Abreu Lima?); o orgulho nacional, Petrobrás, tenta sobreviver ao maior assalto a uma empresa brasileira, quiçá no mundo, sendo também ré em processos nos Estados Unidos.
A Presidente? Visita o neto e instala o Conselhão. Legal! Não?
Há muito o Brasil está fazendo água mas, considerando o tamanho do rombo e o volume de água que está entrando nos porões e já alcançando as salas principais, as manifestações de protesto ao governo reúnem pouquíssimas pessoas.
Só para comparar, no sábado de Carnaval o Cordão da Bola Preta, com as mesmas músicas dos carnavais de 60 e bombado com dinheiro público, em meio a assaltos e correrias emporcalhou o Centro do Rio com mais de hum milhão de pessoas.
Como no Titanic, em festa, o Brasil está afundando e muitos não se deram conta do que está acontecendo.
Então, salve-se quem puder.