Jeso Carneiro

Leitora denuncia PM por “selvageria”

Faz-se necessário, para que o militar possa ser submetido a um curso de qualificação em bons modos e conduta civilizada, afastar o sargento PM Cardoso do Ptran (Pelotão de Trânsito) de Santarém.

Ainda bem que o sargento é, digamos assim, exceção na regra de abordagem cidadã, cordata, conforme os ditames da lei que o Ptran costuma fazer com os motoristas no município.

Ontem à tarde, o PM atropelou essa regra, ao protagonizar cenas de desrespeito, abuso de autoridade em pleno centro comercial da cidade, de acordo a mais recente vítima dele.

No Leia Mais, abaixo, o relato pormenorizado da motorista que cruzou o caminho do militar. Ele, por razões pessoais, pediu ao blog para não ser identificada.

“SELVAGERIA”

Foi essa a palavra que pronunciou a minha comadre quando relatei a história ao chegar em casa.

Tudo aconteceu em menos de quatro minutos. Estacionei meu carro na Tv. 15 de Agosto, um pouquinho antes das 18hs. Precisava carregar sozinha três caixas bem pesadas para dentro de um estabelecimento próximo, sem solicitar a ajuda da funcionária que está gestante. O meu carro estacionado não impedia a passagem de pedestres, veículos e nem estava abandonado. Apenas ocupava uma vaga, bem no final de um trecho, com placa de carga e descarga.

Naquele horário, tinha pouco movimento no comércio e logo atrás, no mesmo trecho, um Fiat Uno estacionado há varias horas, segundo testemunhas. Na frente, um veículo prata, utilitário que parecia uma Ranger. Em poucos minutos, ao olhar do lado de dentro do vidro do estabelecimento, verifiquei que um policial do PTRAN notificava o meu veículo, acompanhado de um guincho que já se encontrava ao lado carro.

O Fiat Uno e a Ranger prata, citados acima, abandonados e estacionados em local proibido, foram ignorados pelo agente de trânsito. Tentei explicar de imediato para o sargento do Ptran que meu carro estava aberto, que era eu a proprietária, estava presente e pedi somente uns minutos para que eu liberasse o carro para os procedimentos legais. Tinha objetos pessoais dentro do carro e, por ser final de mês, meus recibos de décimo terceiro e dinheiro estavam lá dentro para pagamento das funcionarias no término do expediente.

Eu não comentei isso na hora, não quis chamar atenção, apenas passou pela minha cabeça essa preocupação. Admiti para o agente que ele estava cumprindo devidamente o seu papel, e que tinha o direito de tomar todos os procedimentos legais cabíveis pelo fato de o veículo estar sem a placa dianteira (que havia caído hoje a tarde quando transitava por um trecho “intrafegável” na cidade).

O agente mal me ouviu e me direcionou a palavra. Somente folheava o código que portava as infrações de trânsito e acionava o euforicamente o guincho, para que tudo não durasse um minuto. Enquanto isso, peguei no carro a documentação que estava toda em dia, IPVA, habilitação… só que ao tentar entrar no carro novamente, para pegar meu material pessoal, e prepará-lo para, é claro, “perdê-lo” porque ele acabaria indo embora para o pátio, o agente começou a guinchar o veículo comigo dentro, quando eu pedia insistentemente, por favor, que esperasse um pouco.

O carro começou a curvar para a direita, já que estava estacionado e o guincho no meio da rua. Eu apavorada e trêmula tentava virar o volante para o outro lado a fim de equilibrar o veículo que se deslocava. Só escutava a voz do sargento extremamente alta e abusiva, ordenando que eu desligasse o veículo imediatamente. Eu mal tinha percebido que o veículo estava ligado, pois havia colocado a chave na ignição para retirar pertences da mala acender o isqueiro interno.

Não ia fugir dali, sou uma pessoa extremamente pacata, calma, não gosto de tumulto e “barracos”. Tenho discernimento para compreender quem está com a razão ou cumprindo sua função. Era grande a quantidade de fumaça que subia pelas laterais, creio que por causa da força do guincho!

O sargento do Ptran me falava em voz alta, e arrogante, que eu estava resistindo à apreensão do veículo, que acontecia a menos de dois minutos da presença dele ao local. Claro que enquanto guinchavam o carro, eu não tinha como “pular” dali de dentro e ainda mais daquela forma… Uma platéia já havia se formado na rua diante da cena vergonhosa que estava se passando.

Muitas pessoas ficaram indignadas com a forma e a arbitrariedade do sargento do Ptran. Outras poucas incentivando o que se sentia o herói pelo poder da farda. E ainda mais pronunciando palavras de baixo calão contra mim que estava dentro do carro já encolhida. Um casal de amigos que passava no local filmou com o celular e fotografou a cena, abismados com a arrogância e depois do ocorrido me incentivaram a dar queixa na corregedoria.

Quem estava mais próximo daquele circo de um policial, como uma senhora, que trabalha no prédio ao lado, ficou revoltada. Ela admitiu ser empurrada pelo sargento do Ptran quando ele se aproximava dizendo diante de todos que poderia me prender. Não a que atribuir essa força policial, nunca passei por isso na minha vida, mas na hora não ofereci resistência para que o mesmo pudesse proferir tais palavras.

Confesso que fiquei muito, mas muito assustada, sem me mexer, e insisti diante do episódio que o sargento tivesse 2 minutos de calma já que o meu marido estava caminho, porque haviam ligado para ele. Eu não posso ficar nervosa e nem me aborrecer, tenho problema de pressão. A minha família não mora aqui e naquela hora somente o meu marido poderia me tirar daquela cena, daquele carro, daquelas pessoas e até me defender diante daquela situação tão humilhante.

Ao chegar ao local, concordou em multar, levar o carro e, com revolta, o recriminou sobre falta com respeito comigo, sua mulher. Quando se trata de uma mulher sozinha, nessas horas, diante da arrogância de um policial, imagine como nós nos sentimos e como somos tratadas. Duvido que se fosse um homem naquela situação o sargento procederia da mesma forma!

Ser guinchado dentro do carro, em menos de dois minutos de “notificação”, que deixasse ao menos eu preparar o carro, tirar pertences, me desse 5 minutos. Eu, enquanto mulher, cidadã santarena e proprietária do veículo deveria ter sido respeitada durante o procedimento legal.

É notório que o PTRAN faz um importante e valioso trabalho de ordenamento no trânsito, e que tem atribuições tanto educativas quanto repressivas. Não relato este acontecimento com o intuito de ir contra as ações de trânsito, fiscalizações e apreensões que se fazem necessárias para o nosso município. Mas, qualquer policial, para defender sua patente, deve ter educação para lidar com os cidadãos que por eles são abordados, para que não humilhem pessoas como eu, de bem, que só estava trabalhando. Isso vale para toda a instituição.

A polícia deve investir em cursos de boas maneiras para preparar os agentes para abordagem, e não soltar as ruas pessoas que fazem cenas como essas para ganhar platéia. Mas uma vez reforço que se estou errada, pago pelo meu erro, na forma da lei, diante de multa pela placa, apreensão do veículo de forma devida, da carteira, seja o que for (…), mas não há dinheiro e multa no mundo que pague o constrangimento que passei ontem.

Respeito é bom e todo mundo gosta!

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