O empresário, e jornalista, que foi preso por engano por agentes da Policia Federal na manhã de ontem (25), na operação Caça e Caçador chama-se Júnior Chaves.
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PF erra na operação “Caça e Caçador”.
Ele é dono de um restaurante na cidade.
– Tive a minha vida estraçalhada – revelou ao blog.
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A PF, com mandado de busca e apreensão em mãos, invadiu sua residência e o prendeu como se fosse Reginaldo de Paiva Lima, seu vizinho de acusado de suposto envolvimento com máquinas de caça níquel.
A polícia errara de casa.
Ao blog, Júnior Chaves revelou que não pretende acionar a Justiça para pedir reparação por danos morais.
Porém, gostaria que gostaria de ouvir um pedido de desculpas dos envolvidos nessa operação.
Abaixo, o empresário relata o que os agentes federais fizeram com ele.
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Tive na manhã desta quarta-feira, 25 de abril, minha vida estraçalhada por uma ordem judicial equivocada, quando por volta das 8 da manhã, fomos eu e minha família (esposa, sogro e sogra) súbita e abruptamente acordados com o interfone tocando disparadamente.
Ao abrir a janela, imaginando me deparar com algum bêbado, iniciou-se do lado de fora da casa uma gritaria terrível: POLÍCIA FEDERAL ABRE A PORTA, MÃO NA CABEÇA!
Não entendia o que estava acontecendo, meu cérebro não processava, e aproximadamente 30 policiais da Federal estavam alinhados, de arma em punho, no portão da casa gritando e me humilhando muito, e ordenando que eu abrisse o portão.
Eu perguntava do que se tratava enquanto me dirigia ao portão, ainda com roupa de dormir, e eles repetiam aos gritos: CALE A BOCA, MÃOS NA CABEÇA, ABRA O PORTÃO!
Eu estava desesperado, assustado e sem entender nada.
Em pânico, abri o portão, e, imediatamente, um deles pegou meu braço direito e o levou até minha cabeça e me empurrando me levaram pra dentro da minha casa. Aos aos gritos, diziam para eu chamar quem estava na casa. Surge minha esposa na sala, escoltada por um policial federal e em seguida, meus sogros.
Pelo amor de Deus… a rua cheia de gente, ônibus parado em frente de casa, lotado e todos assistindo a tudo. Os veículos da Federal parados aos montes em frente da minha casa.
Após uns cinco minutos de muita gritaria, eles me chamaram de Reginaldo, e aí, só aí, após tanta humilhação e inclusive o delegado que disse gritando para eu calar a boca que me prenderia por desacato, mais de 20 policiais federais dentro da minha casa e toda aquela gente vendo a tudo… entendi que não era eu quem procuravam.
Mas ainda assim insistiam em afirmar que eu era o Reginaldo. E ainda assim ninguém fazia com que acreditassem que eu não era o Reginaldo e gritaram para a minha esposa: VOCÊ SABIA QUE MORA COM UM MARGINAL, COM UM BANDIDO? – apontando pra mim…
Senhores PROFISSIONAIS DA POLICIA FEDERAL… não sou o Reginaldo. Ainda assim, mesmo sem ouvir sequer um “desculpe” pelo seu erro quando vocês saíram da minha casa… ainda assim, senhores, gostaria de dizer que mesmo vocês terem me destruído psicologicamente, com todas aquelas imagens em minha mente, com toda a sua agressividade contra mim e minha família… ainda assim, senhores policiais federais e senhor juiz que expediu o mandado de busca e apreensão para minha residência, na qual moro a mais de 5 anos com minha esposa, sendo eu trabalhador e também minha esposa, sem ter qualquer ligação com o jogo do bicho ou com caça níqueis e sem o sr. Reginaldo (objeto de sua investigação) JAMAIS ter pisado em minha casa nesses quase 6 anos… gostaria muito de ser retratado por vocês, com um simples pedido de desculpas se não for muito para os senhores.
Quem sabe isso aliviará o grande trauma que me encontro, assustado, sem me esquecer de tudo que fizeram comigo.