
Um dos mais influentes jornais do país, a Folha de S. Paulo destacou em seu editorial desta segunda-feira (17), intitulado “O crime também desmata a Amazônia”, a crescente e alarmante diversificação das atividades do crime organizado na região amazônica.
A exploração de garimpo ilegal, a extração ilícita de madeira e a grilagem de terras não são apenas fatores de devastação ambiental, mas se consolidaram como novas e mais lucrativas fontes de receita e mecanismos de lavagem de dinheiro para as facções, superando, em parte, o tradicional tráfico de drogas.
∎∎ Leia também: CNI e governo Lula lançam programa nacional de descarbonização na COP30, em Belém.
O editorial aponta que o foco do crime organizado se expandiu para além do tráfico de drogas, integrando atividades que exploram os recursos naturais.
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- Garimpo Ilegal em números: Segundo um estudo divulgado pela Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas durante a pré-COP30 em Belém, 77% do garimpo na Amazônia brasileira era ilegal em 2022, ocupando uma área de mais de 2,6 mil km².
- Ouro mais lucrativo que drogas: Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) estima que, em 2022, o lucro das organizações criminosas com o ouro foi de R$ 18,2 bilhões, um valor que supera os R$ 15,2 bilhões faturados com o tráfico de drogas.
- Receita global do crime: As receitas com os mercados de combustíveis, cigarros, bebidas e ouro representaram 42% (R$ 146,8 bilhões) do faturamento total de R$ 348,1 bilhões das organizações criminosas naquele ano.
Impactos na segurança e clima
O editorial ressalta ainda as graves consequências dessas atividades para a segurança pública e os esforços de combate ao aquecimento global.
- Violência e conflitos na fronteira: Relatório recente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) indica que o garimpo ilegal na fronteira entre Brasil e Colômbia é o principal ilícito ambiental da região e uma fonte crucial de recursos para facções. A disputa territorial resultante eleva os indicadores de violência na área.
- Poluição e prejuízo a comunidades: O uso de mercúrio na atividade de garimpo e o fluxo de embarcações causam poluição dos rios, impactando diretamente tribos indígenas e comunidades cuja subsistência depende desses recursos hídricos.
- Grilagem e desmatamento: A grilagem de terras é outra grave preocupação, com grande parte das áreas sendo destinada à criação de gado. No Brasil, a abertura de pastagens e plantações é o principal vetor de desmatamento, sendo responsável pela maior parte das emissões de CO2 do país.
- Degradação e incêndios: O conjunto de atividades como garimpo, extração de madeira e pastagens impulsiona a degradação florestal ao reduzir a umidade da mata, facilitando a ocorrência de incêndios.
O jornal conclui, alertando que “sem políticas efetivas de segurança pública na Amazônia, medidas de proteção ambiental e contenção do aquecimento global correm risco de fracassar.”
O debate sobre a expansão das facções e seu impacto na segurança e no ambiente é reconhecido como um desafio pelo próprio embaixador André Côrrea do Lago, presidente da conferência climática da ONU, em face da futura realização da COP30 na região amazônica.
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