Jeso Carneiro

Cordel com sotaque caboclo: poeta santareno Zé de Alencar lança quatro livros simultâneos

Cordel com sotaque caboclo: poeta santareno Zé de Alencar lança quatro livros simultâneos
Zé de Alencar, poeta e cordelista santareno em entrevista à TV JC. Foto: JC

O professor, pedagogo e escritor santareno José de Alencar Godinho, que se assina artisticamente como Zé de Alencar, é responsável por um feito raro na cena literária da região: o lançamento de quatro livros de cordel de uma só vez.

Em entrevista à TV JC, o poeta detalhou sua intensa produção literária e explicou como adaptou a tradicional métrica nordestina para dar voz ao linguajar caboclo e valorizar o imaginário amazônico.

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Embora a literatura de cordel seja historicamente enraizada no Nordeste do Brasil, Zé de Alencar faz questão de imprimir a sua vivência ribeirinha nas rimas. Filho de um pescador e de uma professora, o poeta utiliza a estrutura clássica do cordel para exaltar a cultura local e os costumes do interior.

“Eu me considero caboclo. A minha linguagem na literatura de cordel é uma linguagem paraense, não é aquela que você está acostumado com a literatura nordestina”, explicou o escritor. Ele ressalta que suas obras resgatam o vocabulário da várzea e termos do dia a dia ribeirinho para gerar proximidade com o leitor da região.

Lendas amazônicas e contos urbanos

A nova coletânea explora temáticas muito presentes no cotidiano e na memória de Santarém. O público encontrará narrativas sobre a encantaria amazônica, mergulhando nas clássicas lendas do Boto e do Muiraquitã.

O poeta também transforma memórias em literatura com a obra “A Briga com o Diabo”, inspirada em um antigo relato familiar sobre seu avô.

Outro destaque do lançamento é “A Dama de Preto”, um conto urbano ambientado em Santarém na época do garimpo, cuja inspiração nasceu de um texto publicado no portal JC.

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Profissionalização da arte

Com o novo lançamento, Zé de Alencar atinge a marca de 7 obras publicadas, firmando-se como uma das principais referências do gênero no município. Diferente dos folhetos produzidos de forma estritamente artesanal, os livros do poeta possuem registro oficial na Biblioteca Nacional e ficha catalográfica.

Para o design gráfico, o poeta apostou em talentos da terra. As capas contam com uma releitura moderna da tradicional xilogravura, assinadas pelo jovem ilustrador santareno Patrick Lima.

A entrevista completa, com todos os detalhes, memórias de família do autor e os bastidores de sua inspiração às margens do encontro dos rios, pode ser assistida abaixo ou no no canal oficial da TV JC no YouTube.

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