Jeso Carneiro

Curta sobre bairro Terra Firme, em Belém, será lançado na 6ª em live pelo Youtube

Curta sobre bairro Terra Firme, em Belém, será lançado na 6ª em live pelo Youtube
Bairro de Terra Firme, um dos mais populosos e esquecidos de Belém. Foto: Agência Pará

por Kid Reis, jornalista em Belém

Na sexta-feira (4), às 18 horas, ocorre a live de lançamento do curta Matei a Lei: confissões ao direito à cidade, com Gláucia Pinto, artista e moradora do bairro da Terra Firme, em Belém (PA).

O espetáculo teatral será transmitido pelo Youtube e na página do Facebook da Associação Amazônica Cultura Boi Marronzinho.

Para a professora Myrian Cardoso, integrante do Projeto de Pesquisa Saber & Conviver em Baixadas na Amazônia e uma das idealizadoras do Coletivo MultiverCidades da Amazônia, o papel da arte é descontruir rótulos e estigmas impregnados pelo poder econômico ao longo dos vários períodos históricos do Brasil sobre os moradores dos bairros periféricos das pequenas, médias e grandes cidades brasileiras.

 

A aula de abertura da live será ministrada pelo professor Alex Magalhães, do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPPUS-RJ).

O curta faz um recorte voltado para o bairro da Terra Firme, em Belém, um dos 10 maiores espaços geográficos urbanos da capital paraense, marcados por contradições e a ausência da aplicação de políticas públicas constitucionais para as famílias contribuintes. Retrata a realidade de inúmeros bairros e cidades brasileiras do Oiapoque ao Chuí.

O curta pela live

Para a atriz Gláucia Pinto, formada em Licenciatura Teatral pela Universidade Federal do Pará, a cidade de Belém tem o quarto pior saneamento brasileiro, o esgotamento sanitário atinge 0,98% das moradias, cerca de mais de cerca de 60 mil pessoas vivem sem coleta de resíduos sólidos e o déficit habitacional é altíssimo, sem falar dos efeitos da pandemia sobre a saúde pública, a precarização das condições de trabalho e o desemprego. 

“Somos mais de 5.127.747 domicílios ocupados em 13.151 mil aglomerados urbanos no Brasil. A movimentação econômica atinge 119,8 bilhões por ano.  Somos paradoxalmente contribuintes, mas não somos cidadãos. Somos invisíveis aos olhos dos poderes públicos”, assevera a atriz.

Neste contexto, segundo Joélcio Santos, sociólogo e ativista cultural Boi Marronzinho da Terra Firme, a arte teatral estimula o pensar, o saber, o conviver, o participar e a cobrar a efetivação de políticas nas áreas das baixadas, além de combater os estigmas e preconceitos contra a periferia, enquanto outras partes da cidade são privilegiadas com investimentos públicos e privados.

 

“A união entre a sociedade, universidade e os moradores reforçam as práticas de ensino, pesquisa e extensão, que descontroem preconceitos e chamam os moradores para assumir o protagonismo das ações em defesa do desenvolvimento social e humano por meio da arte, cultura, música, cinema, fotografia e a construção e compartilhamento de múltiplos saberes nos bairros periféricos”, reflete o ativista cultural.

A apresentação da live será realizada pela professora Myrian Cardoso e pela discente de arquitetura da UFPA, Ana Clara Fonseca. Participam como convidados Nazaré Lima, advogada e vereadora de Belém, e Jorge Moura, do Conselho de Arquitetura do Brasil (CAU-BR).

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