Jeso Carneiro

Poesia. Espólio

Testamento

Odeio os testamentos e odeio as tumbas.
Baudelaire

Ao fogo, meu único herdeiro,
deixo meu nobre corpo,
e ao vento tabelião,
a dispersão de minhas cinzas.

Nada deixo à terra
que inverte
a carne em suas entranhas.

À poesia lego
a imagem póstuma
de meu coração martelando
como um punho em brasa
o refrigerador do inferno.

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De Gonzalo Millán, poeta chileno.

Leia também:
Reféns, de Sofía Vivo
Maldição, de Maria Mercedes Carranza.
Gotas de fel, de Gabriela Mistral.
O engano, de Alfonsina Storni.
A poesia é como pão, de Roque Dalton.

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