Jeso Carneiro

Poetas amazônicos. Partiste, ó trovador

Adeus ao poeta

Não brilha mais no céu o teu luar querido…
A Lira se partiu…A Musa silencia…
Dos pássaros cessou o gárrulo alarido…
Deserta da Cidade o anjo da alegria…

O próprio Tapajós soberbo, de que, um dia,
Cantaste os esplendores, queda-se, vencido…
Imobiliza o rio estranha calmaria
Que me parece um adeus silente e compungido.

Partiste, ó trovador das lindas madrugadas,
Idolatrando sempre as plagas encantadas
Da tua Santarém, que amaste até morrer!

Sozinho eu fico agora… E Deus sabe até quando
Catarei entre os astros, viverei buscando
Os versos que deixaste, ó Bardo, por fazer!…

– – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – –

De Emir Bemerguy, poeta amazônico nascido em Santarém. Sobre a poesia acima, a jornalista Lila Bemerguy faz o seguinte relato:

– Jeso, hoje completa um mês da morte do papai. Essa poesia, que ele fez em 1974, é homenagem póstuma dele a Paulo Rodrigues dos Santos. Hoje, esses versos são a nossa homenagem a todos os poetas que partiram, deixando versos por fazer. Os que quiserem conhecer um pouco mais da obra do meu pai, visitem o blog https://bemerguyemir.blogspot.com.br/

Leia também:
Lábios, de Edwaldo Pangaré Campos.

Sair da versão mobile