Jeso Carneiro

A morte do reitor e o fogo cruzado nas universidades federais, por Anselmo Colares

A morte do reitor e o fogo cruzado nas universidades federais, por Anselmo Colares
Velório do reitor da UFSC, Luiz Carlos Cancellier, que se suicidou

por Anselmo Colares (*)

A morte do reitor vai despertar que reação?

Quando buscamos nos acercar das informações mais amplas vemos que o caso enseja uma profunda reflexão e exige posicionamento coletivo.

Nas universidades federais, os reitores estão no fogo cruzado.

De um lado, as demandas e cobranças internas para que eles façam valer a autonomia estabelecida na Constituição Federal, quanto a direitos de servidores e ampliações de processos democráticos; e de outro lado, a pressão dos órgãos de controle, desde auditores, procuradores, e toda a cadeia que constitui o estado policial, que não hesita em aplicar punições esdrúxulas.

E como a comunidade universitária se comporta diante disso? Onde fica a solidariedade aos gestores vivos que também estão a sofrer sob esse fogo cruzado? Quem são os nossos verdadeiros algozes? Colegas que em um dado momento estão investidos de um cargo?

Sobre eles pesa toda esta gigantesca pedra. Como quebrá-la sem que as pessoas se destruam no interior das universidades?

Será que após essa tragédia os sindicatos e as forças vivas das universidades vão se debruçar sobre as causas mais profundas ou ficar apenas nos lamentos? Ou continuar a exigir que os reitores se tornem super heróis?

Infelizmente, o ocorrido na UFSC pode ter um sentido, o de todos olharmos com profundidade, isenção e racionalidade, como se aprende nos processos de pesquisa, a temática da autonomia e seus limites impostos pelos órgãos de controle.

Resta saber como os coletivos que constituem as universidades vão lidar com esse tema. Autonomia do gestor versus estado policial.

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É pós-doutor em Educação e atual vice-reitor da Ufopa, Universidade Federal do Oeste do Pará.

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