por Paulo Cidmil (*)
Acompanho o pouco que se pode ver, ler e ouvir sobre as propostas dos candidatos à Presidência, os rumos que o país irá tomar nos próximos 4 anos, pelo que é possível vislumbrar até o momento, são uma incógnita.
Assisti ao debate dos candidatos a vice-presidente, e, SINCERIDADE, só era possível perceber nos candidatos do PV e do PSOL. Temer e o seu PMDB representam todo o oportunismo que sempre fez parte da política brasileira, ele mesmo um político sem brilho.
Eleito deputado por São Paulo graças aos votos da legenda, é mais um rato dos subterrâneos palacianos, atuando nos conchavos e arranjos de bastidores para vender caro a maioria no Congresso, sempre de olho em um ministério, secretaria, autarquia, estatal, seja lá o que for que represente cargos e uma participação no dinheiro do contribuinte, que escoa pelo ralo da corrupção que recentemente ganhou um novo nome: “taxa de sucesso”.
— ARTIGOS RELACIONADOS
Sobre o vice de Serra, nem vale tecer muitos comentários. Um embusteiro que tenta iludir o eleitor com cara de bom menino e um discurso de moralidade (esteve no centro do governo César Maia no Rio de Janeiro. Governo com dezenas de casos de corrupção e malversação do dinheiro público).
Tenta, junto com Serra, transformar a campanha em um escândalo sobre corrupção como se a população brasileira não percebesse que esse problema está nas entranhas de todos os Partidos sem exceção.
Serra não tem um projeto político para o país. Ele e sua coligação estão enchendo os eleitores de promessas. Como a do salário mínimo de 600 reais já no próximo ano. E vem apresentando algumas iniciativas exitosas na área social realizadas no estado de São Paulo, prometendo multiplicar essas ações por todo o país. Dizem que vão dar continuidade a todos os projetos sociais do Lula, e mais: irão ampliá-los, provando que não conhecem do que falam porque mais que ampliação esses projetos precisam ser aprimorados.
Serra já apareceu com Lula, prometendo ser um Lula melhorado, já disse para a população que para Lula retornar em 2014, sua única chance será com a sua vitória, pois se houver uma vitória de Dilma ela fará um governo tão desastroso que eliminará as chances do PT e Lula de retornarem ao poder.
Serra e Índio da Costa parecem dois ilusionistas tentando enganar a população, mentem em tudo que dizem com um cinismo poucas vezes visto, acreditam que o eleitor ainda esta no tempo dos caras pintadas. Ao perceberem que as pesquisas não lhes favorecem, tornam-se mais agressivos e sem nenhum escrúpulo, se é que é possível falar assim de duas figuras que nunca mediram os meios para atingirem seus objetivos.
O PT, é hoje, um partido tão envolvido com a corrupção quanto DEM, PMDB e PSDB. E, como tem o controle da maquina estatal, seus ratos tem se esforçado para superar em corrupção todos os outros partidos juntos. Fazem isso sem culpa, pois acreditam ser lícito, uma vez que parte do dinheiro desviado vai para as campanhas milionárias que o partido realiza pelo país. O projeto mais profundo do PT é permanecer no poder.
Dilma roerá um osso para controlar os ratos de seu partido e sua sanha por cargos e recursos públicos. Ao seu redor ainda terá o PMDB com mais poder e uma teia de partidos sem nenhuma matiz ideológica, uma coligação guarda-chuva, onde o que interessa é um naco do poder para atender às suas necessidades fisiológicas.
Nas candidaturas de DILMA e SERRA só é possível ver de forma clara e inequívoca a ânsia pelo poder. PT e PMDB contam como favas contadas a eleição de Dilma ainda no primeiro turno. Isso será desastroso para a Amazônia. A eleição de Dilma no primeiro turno dará a ela o aval necessário para implementar a sua política desenvolvimentista para a Amazônia, que não respeitará as nossas peculiaridades e nossa diversidade biológica e cultural.
Nomeará o Ministro do Meio Ambiente, o presidente do Ibama, do Incra, da Ana, e todos os órgãos relacionados as questões ambientais, da terra e de minorias, que autorizaram a toque de caixa projetos de mineração, de hidroelétricas e da expansão do agronegócio sem que sejam respeitados prazos e sem a participação popular.
Dilma é uma tecnocrata, ótima executiva, mas extremamente comprometida com políticas desenvolvimentistas que atendem mais aos anseios de expansão do grande capital que ao desenvolvimento social das populações locais. E é bom lembrar capital para investimento é o que não falta no Brasil de hoje.
Grandes investimentos não significam necessariamente desenvolvimento social de populações locais. A Amazônia está cheia desses exemplos. É preciso mudar o foco das políticas desenvolvimentistas para a Amazônia.
Não podemos ser eternamente exportadores de matéria prima, esses recursos, todos sabem, são finitos, e proporcionam poucos postos de trabalho, não distribuem renda, o pouco que contribuem com impostos não retorna para a população local. Vão para o poço sem fundo do Estado e principalmente da Federação.
Foi Dilma que defenestrou MARINA SILVA do Ministério do Meio Ambiente, queria maior agilidade nas autorizações e liberações para implantação de projetos que pouco levam em conta as populações locais na Amazônia.
Já é difícil discutir uma Belo Monte, a mobilização popular regional é precária. Imagine uma dezena de Belo Montes espalhadas pela Amazônia. Hoje a nova utilidade da Amazônia é a transformação de seus rios em matriz energética. Só para o Rio Tapajós existem três projetos de grande e médias hidroelétricas.
Para a Amazônia, no momento só existe um voto possível: MARINA SILVA. Não porque ela tem origem amazônica, mas por suas propostas e compromissos com as questões ambientais. E é MARINA SILVA que tem apresentado novas alternativas de desenvolvimento para a Amazônia que levam em conta a sua diversidade e sua gente.
Uma expressiva votação em MARINA SILVA pode não a levar a um segundo turno com Dilma Roussef, mas a transformará no fiel da balança para um segundo turno.
Será com MARINA SILVA que Dilma e Serra terão que negociar apoio para um segundo turno. E Marina não sentará-se à mesa sem colocar as políticas ambientais como questão central dessa negociação. O PV e MARINA não sairão dessa sem a pasta do Meio Ambiente. Nada mais justo para o Partido brasileiro mais comprometido com a preservação ambiental e com propostas e alternativas sustentáveis para o desenvolvimento.
A Amazônia precisa de um segundo turno para a eleição presidencial, como sua floresta precisa de água e sol para se manter de pé.
Segundo turno para Presidente é vital para a Amazônia e saudável para a Democracia. Meu voto é MARINA SILVA, escrevi tudo isso para pedir o seu também!
——————————————-
* Santareno residente no Rio de Janeiro, é produtor cultural. Sem filiação partidária.