Jeso Carneiro

As virtudes na nova administração

por José Baldino Vasconcelos (*)

Este artigo se baseia nas conversas com meus amigos neste final de semana enquanto me preparava para ministrar uma palestra sobre liderança para os coordenadores dos vários Núcleos da Pastoral do Menor, da Diocese da Santarém.

Grande atenção tem sido dada ao paradigma da nova administração: visão, delegação de poderes, responsabilidade, compromisso e direcionamento ao cliente. Nem se sabe como alcançar o que essas palavras querem dizer.

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Mudanças do velho paradigma para o novo envolve a mudança para uma base mais espiritual. Para muitos administradores e teóricos da administração, há um novo modo de ver as coisas.

Todos os conceitos da nova administração enfeixados sob o nome de “novo programa” são, em sua essência, manifestações exteriores de administradores que agem sob a Sabedoria do Amor. Elas constituem um pacote de comportamentos, atitudes, decisões e políticas que refletem a essência espiritual da organização.

Essas virtudes são discutidas tanto em escritos antigos como nos modernos; por isso não se trata de novos conceitos. Tais virtudes da administração formam o alicerce filosófico e espiritual de muitos dos conceitos da nova administração.

Confiança
A confiança se torna o alicerce sobre o qual são baseadas todas as outras virtudes. A confiança requer integridade e honestidade, que às vezes, podem ser atos de coragem. A boa liderança é baseada na honestidade.

União
A união é a base para a visão comum, para a prática em grupo e para a participação universal. Sem união, nenhum desses objetivos é possível. Sem união, a organização é arrasada pela força centrífuga ou pela entropia. Um ambiente de união requer dos administradores que deixem de ser controladores para serem instrutores. A verdadeira união requer reciprocidade, o que significa tratar os outros como queremos ser tratados e considerar as conseqüências desse comportamento. A reciprocidade é a chave para a espiritualidade de uma organização.

Respeito e Dignidade
As empresas estão compreendendo que faz bastante sentido para os negócios tratar as pessoas com respeito. Além de ser louvável por si mesmo, honrar a dignidade do trabalhador pode resultar numa empresa financeiramente mais saudável. Tratar as pessoas com respeito é, comprovadamente, a virtude mais violada nas organizações – embora seja a mais fácil de corrigir. Delegar poderes, recompensar e apreciar os esforços é uma forma de demonstrar respeito à dignidade do trabalhador.

Justiça
A justiça não resiste sozinha, sem nenhuma outra virtude. Tratar os outros com justiça requer empatia, isto é, amor. A justiça é impossível sem a empatia, posto que a verdadeira justiça só pode ser partilhada quando estamos aptos a nos colocar na posição dos outros.

Serviço e Humildade
Quando o trabalho é executado com o verdadeiro espírito de servir, ele não só beneficia a sociedade, mas também os empregadores e os clientes, e pode dar um novo sentido para os empregados. O trabalho visto assim se tornará uma força positiva para todos os envolvidos.

Quando aliada à competência, a humildade desencandeia grande força nas organizações. A humildade não é um tema comum na literatura empresarial, ainda que seja um elemento essencial para a prestação de serviços de alta qualidade, bem como relevante para a relação entre clientes e empregados. Como se pode prestar bons serviços sem que o empregado seja dotado da vontade de servir?

Adotar o conceito de humildade é particularmente difícil para os administradores que pensam sob a influência do velho paradigma . A humildade não casa com a imagem aceita de um executivo forte e agressivo no controle. Sem uma profunda e verdadeira humildade o que ocorre é que os administradores sem querer abusam de seu poder sobre os empregados.

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