Jeso Carneiro

Carta para Lewandowski

Carta para Lewandowski

por Apolinário (*)

Excelentíssimo Senhor Doutor Ministro do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski.

É com muita admiração e respeito que me dirijo a vossa excelência, através desta carta, para falar do aterrorizante medo que sinto neste momento em que o Brasil vive o inferno da corrupção política misturado com o golpe de forças norte-americanas para acabar com a democracia do Brasil, através do Poder Judiciário.

Desconfiado com muito empenho da Rede Globo em mostrar a todo o momento grampos telefônicos, documentos de propriedades sem donos, dinheiro público desviado para o exterior, contas deste, daquele e de tantos outros deputados e senadores em viagens e restaurantes de pratos com preços milionários, decidi escrever esta carta para vossa excelência.

Ministro, a corrupção não foi inventada pelo Lula, pela Dilma, pelo Eduardo Cunha ou pelo Lira Maia, “malaco” aqui da nossa área.

A corrupção está na alma do ser humano. Está na Bíblia Sagrada desde Adão e Eva à venda de José do Egito pelos próprios irmãos, a “caguetagem” de Judas através do beijo contra o Nosso Senhor Jesus Cristo, que está sentado à direita de Deus Pai Todo Poderoso, de onde há de vir a julgar os corruptos vivos e mortos.

O retrato mais singelo de corrupção é da mãe, que faz a comida para os próprios filhos e, muito antes de servir a mesa, já provou várias vezes, ainda dizendo: “Crianças, comam, que a mamãe já está de “bucho cheio” de tanto provar! Que a mamãe até nem vai precisar jantar! Que a mamãe ainda vai deixar entre os buracos dos dentes podres um pouco do café da manhã!” Por tanto, nobre ministro, acredito que o golpe vai além do meu medo, desconfiança e toda a dor do povo brasileiro.

Estava tudo tão bem bolado que até me fez pensar que o alvo era a esquerda de toda a América Latina e a campanha para laboratório do governo norte-americano para vender vacinas para o Zica Vírus, como se queixavam alguns fantasmas intelectuais meus.

Agora vejo claramente, excelência, que o alvo é toda a liberdade política do povo brasileiro de trabalhar, de sobreviver, de andar livremente e até mesmo de sonhar.

Um povo sofrendo à miséria das moedas encardidas da nossa economia, ouvindo na televisão toda hora falarem de bilhões que transitam por raios de linhas telefônicas. O povo verdadeiro que está se alimentando até das próprias fezes mal digeridas para escapar com vida até o anoitecer, e quando chega o dia seguinte, recomeça mais uma jornada de dor, sofrimento, miséria, marginalização, e o povo visceral se arma de pedra, pau e arma velha de fogo para garantir o sustento de seus filhos amarelados, piolhentos, famintos, enlouquecidos pela dor que essa justiça “tão severa” se manifesta como processadores de carne humana enlatada.

A perseguição, nobre ministro, está apenas começando pela esquerda.

Aos poucos mostrando a caça em fuga e ao mesmo tempo o lado podre dos caçadores. No final, sobrarão apenas o Judiciário e a Rede Globo com as mãos limpas. E o povo, articulado e teleguiado com suas bandeirolas verde-amarelas desbotadas, esperando o Jornal Nacional noticiar o próximo passo para a nova “e honesta solução democrática para o futuro brasileiro”.

Devo imaginar que é só uma questão de tempo para que vossa excelência e todo o Supremo Tribunal Federal também seja desbancado pelo “desavessar” de suas togas.

É natural e bíblico, nobre ministro, que qualquer ser humano abaixo de Deus e ao lado do diabo tenha sempre verdades ou mentiras e outras coisinhas mais escondidas na manga. É só uma questão de tempo para que a Polícia Federal ponha algemas nos próprios braços. O meu desespero é grande e me faz imaginar longe.

Acredito que o povo sem líder algum de direita, centro-esquerda e esquerda, todos eliminados por uma só razão: corrupção! É um povo vulnerável demais para ser manipulado e escravizado.

Por tudo isso, nobre ministro, venho lhe pedir que analise todos esses movimentos, todos esses gestos e quem está pagando toda essa publicidade, essa campanha de povo amarelo contra povo vermelho, povo maltrapilho contra povo arrumadinho, povo de verdade contra povo de mentira, povo libertado sem carta de alforria.

Está na mão de vossa excelência não permitir um caos maior. Deixe a mulher terminar o mandato dela. Na próxima eleição, que o povo decida o caminho da salvação ou do seu outro inferno.

Sem ter mais com que lhe perturbar, despeço-me, tendo a certeza de que vossa excelência irá surtar de repente e encontrar o rumo certo.

OBS: Ah, ministro, ia esquecendo. Na sua posse, vossa excelência estava mais bonito que o Joaquim por fora.

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* Santareno, é artista plástico.

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