por Everaldo Martins Filho (*)
Como disse o argentino Jorge Bergoglio, quase Borges, sempre Jorge! Um, Luís, poeta e escritor; outro, Mário, químico e cardeal. Outro e um, cada, um castelo. Um cego, mas um farol; outro, a luz própria e a própria luz. Como um sol.
Mais uma eleição na direção de recuperar a dignidade humana, de corrigir a injustiça. Como a última da França e as duas de Obama. Esse, quase do Havaí. O primeiro presidente negro dos EUA. Aquele, Francisco, além de político e religioso, cheio de misericórdia e solidariedade, de caridade e amor. O que não é novo, por si, para um Sumo Pontífice.
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O poder e a riqueza do planeta, passando do Oriente para a Europa e do Velho Mundo para a América, na história, e até hoje, são sempre do Norte da Terra. O Sul, somos os colonizados, os silvícolas, os selvagens, os aborígenes. Ou temos sido. Francisco é o primeiro dirigente importante, do mundo todo, que é do Sul do mundo. Isso é novo.
É claro que a Igreja de Roma tem muitos problemas para resolver. Como todas as instituições, também as religiões e os templos estão em crise. Armstrong pisou na lua em 1969. A classe dominante inventou a teoria da dependência e o neoliberalismo ainda nos anos setenta do século passado, para sustentar o capitalismo.
Também o desenvolvimento sustentável, dos oitenta, é invenção e variável da mesma economia de mercado. Que ademais, privatiza – ou expropria – e não distribui renda; que não investe em democracia nem em liberdade responsável. Isso exclui, discrimina; privilegia e elimina. A barbárie volta. Os miseráveis saltam. E assaltam. O lumpesinato se rebela. E se revolta. A populaça, a massa. Antes morta! Os esfomeados, marginais, quase sem casa; os humilhados, quase descalços e sem nada. Que tem sempre aberta a porta, do teto, quando mora. Que entre! E uma janela que olha, para fora e para perto, para dentro e para longe; que interroga, para onde? Que sonhe!
Acorda. Desperta. Levanta. Humanidade. Compreende. Uma ideia, as ideias. Sente. Deus. Ou Déa. A fé move as pessoas mais do que o amor ou o materialismo. Enfrenta a violência, a alienação, a hipocrisia. Vai ao dicionário, aos livros. Lê a Bíblia. E estuda a história. Tu és sim testemunha e protagonista. Como os indígenas da América Latina e quinhentista. És a prova do inferno e do paraíso, relento e abrigo, segurança e perigo, do perdão e do castigo.
Vamos orar pelo papa. Duas mil e treze preces. Orações infinitas. Ele mesmo solicita. Rezemos ao Senhor. E vamos sim mirar na face; vamos enxergar o rosto de Deus, como também quer Francisco. Que Ele seja ela, ou de que cor Deus for. Vamos ver e olhar. Para nos salvar. Ele é Pai, disse o bispo de Roma. Ele é o papa, digo. Vamos ouvi-lo. E segui-lo. Viva o Papa Francisco! A boa nova da fé religiosa, da Igreja Católica. O papa jesuíta, índio e menino, celestial e divino.
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* Santareno, é medico. Ex-secretário municipal na gestão da prefeita Maria do Carmo (2005-2012). Escreve regularmente neste blog.