Jeso Carneiro

Não vi o papa, mas senti sua presença

por Edilberto Sena (*)

Estou voltando da longa viagem à Europa, três meses distante de nosso campo de vida, luta e esperança em Santarém e região. Nesses três meses de estadia na Europa, tive uma maratona de encontros, palestras e mesas de diálogo na Itália, Alemanha e Holanda.

Sempre encontrei pessoas e organizações interessadas em saber como andam os povos da Amazônia, por que as obras do PAC do governo brasileiro são criticadas por indígenas, quilombolas, ribeirinhos, organizações populares, como é a atuação da Igreja Católica diante dos problemas sociais e ambientais da região. Querem saber sobre as questões do desmatamento, da poluição ambiental.

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Explico que o dito pulmão do mundo está tuberculoso, por causa das intensas explorações de mineradoras, agronegócio, hidrelétricas e madeireiras.

Muitos ficam surpresos porque o que se diz por aqui é que o Brasil é a sexta economia mais rica do planeta, que o BNDES tem mais dinheiro que o Banco Mundial, que Lula e Dilma sao os governantes que tiraram o povo da miséria etc. Não é com prazer que abro o jogo e lanço água gelada nas informações que chegam por aqui.

Papa Francisco acena a fiéis católicos no Vaticano

Mas nem só de mesas de diálogo vivi neste período. Encontrei vários amigos, passei também. Ao passar um dia em Roma, não pude ver e falar com o Papa Francisco, mas senti sua presença nos jornais, na praça de São Pedro e até nos estúdios da Rádio Vaticano, por onde passei e ganhei um exemplar de sua mais recente “Exortação Apostólica – A alegria do Evangelho”.

De fato, o Papa Francisco é a Boa Nova na Europa hoje, e posso imaginar que para o mundo todo. Na Itália, se o povo vive a vergonha de ter um Berlusconi, que finalmente foi expulso da vida pública, mas tem um papa que é diferente dos anteriores, que abraça deficientes físicos e beija crianças, que dialoga com crentes e ateus, que é latino americano e universal.

Sua Exortação Apostólica é dirigida a bispos, padres, pessoas de vida consagrada e aos leigos e leigas de sua Igreja. Escrita na primeira pessoa, provoca e desafia seus seguidores a vivenciarem o Evangelho de Jesus Cristo no mundo atual. Segundo ele, a Igreja não pode mais viver para dentro de si, mas sair, dialogar com o mundo atual, enfrentar os problemas, as injustiças sociais e ambientais, falando a linguagem do povo.

Assim, volto a Santarém bem disposto a continuar a missão na comunicação, no movimento social e na evangelização, como já vinha fazendo antes, agora com mais este apoio da exortação do Papa Francisco.

Os desafios da região certamente aumentam, pois Santarém continua a ser o corredor por onde passam as riquezas e ficam os problemas e as ilusões. Passam os navios carregados de toneladas de minérios, chegam as centenas de carretas carregadas de toneladas de soja e milho, chegam promessas de fábrica de cimento e armazém da indústria da Zona Franca de Manaus e o jogo sujo da Eletronorte com as interrupções constantes de energia.

Essa é nossa Santarém que vou reencontrar e enfrentar. Mas vou.

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* Santareno, é padre diocesano. Escreve regularmente neste blog.

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