por Edilberto Sena (*)
Sempre encontrei pessoas e organizações interessadas em saber como andam os povos da Amazônia, por que as obras do PAC do governo brasileiro são criticadas por indígenas, quilombolas, ribeirinhos, organizações populares, como é a atuação da Igreja Católica diante dos problemas sociais e ambientais da região. Querem saber sobre as questões do desmatamento, da poluição ambiental.
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Explico que o dito pulmão do mundo está tuberculoso, por causa das intensas explorações de mineradoras, agronegócio, hidrelétricas e madeireiras.
Muitos ficam surpresos porque o que se diz por aqui é que o Brasil é a sexta economia mais rica do planeta, que o BNDES tem mais dinheiro que o Banco Mundial, que Lula e Dilma sao os governantes que tiraram o povo da miséria etc. Não é com prazer que abro o jogo e lanço água gelada nas informações que chegam por aqui.
Mas nem só de mesas de diálogo vivi neste período. Encontrei vários amigos, passei também. Ao passar um dia em Roma, não pude ver e falar com o Papa Francisco, mas senti sua presença nos jornais, na praça de São Pedro e até nos estúdios da Rádio Vaticano, por onde passei e ganhei um exemplar de sua mais recente “Exortação Apostólica – A alegria do Evangelho”.
De fato, o Papa Francisco é a Boa Nova na Europa hoje, e posso imaginar que para o mundo todo. Na Itália, se o povo vive a vergonha de ter um Berlusconi, que finalmente foi expulso da vida pública, mas tem um papa que é diferente dos anteriores, que abraça deficientes físicos e beija crianças, que dialoga com crentes e ateus, que é latino americano e universal.
Sua Exortação Apostólica é dirigida a bispos, padres, pessoas de vida consagrada e aos leigos e leigas de sua Igreja. Escrita na primeira pessoa, provoca e desafia seus seguidores a vivenciarem o Evangelho de Jesus Cristo no mundo atual. Segundo ele, a Igreja não pode mais viver para dentro de si, mas sair, dialogar com o mundo atual, enfrentar os problemas, as injustiças sociais e ambientais, falando a linguagem do povo.
Assim, volto a Santarém bem disposto a continuar a missão na comunicação, no movimento social e na evangelização, como já vinha fazendo antes, agora com mais este apoio da exortação do Papa Francisco.
Os desafios da região certamente aumentam, pois Santarém continua a ser o corredor por onde passam as riquezas e ficam os problemas e as ilusões. Passam os navios carregados de toneladas de minérios, chegam as centenas de carretas carregadas de toneladas de soja e milho, chegam promessas de fábrica de cimento e armazém da indústria da Zona Franca de Manaus e o jogo sujo da Eletronorte com as interrupções constantes de energia.
Essa é nossa Santarém que vou reencontrar e enfrentar. Mas vou.
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* Santareno, é padre diocesano. Escreve regularmente neste blog.