por Tiberio Alloggio (*)
Isto é: as eleições majoritárias para presidente, governador e prefeito; as eleições distritais estaduais para senador; as eleições proporcionais para deputados.
Trata-se de dinâmicas eleitorais diferentes, que comportam táticas e estratégias politicas diferentes. O que caracteriza uma vitória politica é a eleição do candidato majoritário. Uma vitória que, dependendo do volume da bancada eleita no Congresso, poderá ser considerada parcial ou total. Nesse sentido, o PT (com Dilma) venceu a disputa eleitoral nacional.
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Ou seja, o PT e sua coligação venceram politicamente as eleições presidenciais, garantindo à Dilma Rousseff ampla maioria na Câmara e no Senado. Isso tudo, aditivado com a vitoria de suas coligações na maioria dos estados.
São pelo menos 4 os fatores que determinaram essa vitória politica, são eles:
A consistência do projeto político;
As alianças;
O desempenho dos candidatos;
As circunstâncias.
Em todos esses itens, o PT (Lula) demostrou, em nível nacional, uma superioridade esmagadora sobre a coligação adversária, que sai dessas eleições de tamanho reduzido, ou seja, bem menor de como entrou.
É justamente na contramão desse sucesso nacional que o PT no Pará passou seu maior vexame.
Com o governo na mão, num cenário onde tudo conspirava a seu favor, o PT no Pará conseguiu, com suas próprias mãos, criar as condições de uma derrota humilhante.
Em todos os itens considerados acima, o PT paraense conseguiu demonstrar toda sua inferioridade versus uma coligação oposicionista debilitada e fraquejante.
Perdeu logo o apoio do PMDB, substituindo-o com costuras político-programáticas aventurosas, precárias e emergenciais.
Realizou um governo sem eixos estratégicos e sem prioridades consistentes, dispensando para a população o “mais do mesmo” em áreas estratégicas como saúde e educação.
Desafiou os limites do bom senso, ao arriscar a candidatura de Paulo Rocha ao Senado, apostando contra as circunstancias da Lei do Ficha Limpa. Uma derrota garantida, independentemente do juízo de mérito sobre a pessoa.
Realizou uma campanha de marketing desastrada, que só acentuou a rejeição pessoal (politica e popular) que Ana Júlia havia acumulado ao longo de seu mandato todo.
Um completo naufrágio, amenizado apenas pela vitória da Dilma sobre Serra no Estado.
Mas aqui em Santarém a derrota foi completa. Sorte do PT que as eleições gerais não estejam casadas com as municipais, pois a dupla Serra-Jatene venceu de lavada suas adversárias.
Para piorar, o PT santareno não conseguiu levar para a Câmara Federal o seu candidato local, enquanto seus principais adversários tiveram uma reeleição tranquila.
Um sinal claro de que o Governo do PT em Santarém anda fora dos trilhos, seja do ponto de vista político, como do ponto de vista gerencial. Um alerta vermelho, pois trata-se da maior cidade hoje administrada pelo PT no Pará.
A reversão de um quadro desses passa obrigatoriamente pelo esforço do PT em produzir e definir com antecipação seus rumos estratégicos em vista das eleições municipais de 2012.
O PT terá que reencontrar sua capacidade de se antecipar, fazendo prevalecer uma dinâmica coletiva e partidária.
Terá que cumprir um papel superior ao atual, pois o centro de formulação e direção politica foi transferido para o governo e nos gabinetes dos donos dos mandatos.
Seja como for, algumas variáveis já estão bastante claras. O PT enfrentará as eleições de 2012 num cenário nacional ainda favorável, mesmo tendo obtido um resultado local aquém do esperado. Mas também terá de enfrentar as mesmas eleições num cenário pior, pois o Governo do Estado estará na mão do PSDB.
Isso quer dizer que o PT terá que “compensar” (desde já) os prejuízos políticos sofridos nessa disputa eleitoral, com debate ideológico, mobilização social e partidária, medidas legislativas e de governo.
E só vencerá as eleições de 2012 se conseguir conduzir desde agora uma disputa de projetos, semelhante ao que foi feito em 2008. Nesse sentido, algumas interrogações são obrigatórias:
# A relação do Governo com o Partido, com as esquerdas e com os movimentos sociais será mais ou menos orgânica?
# O governo Maria do Carmo se aproximará mais ou se afastará ainda mais dos temas sociais, democráticos, e locais?
# Que tipo de desenvolvimento será implementado?
# O PT terá que debater estas questões, inclusive os temas político-organizativos e o balanço do governo Maria.
Será fundamental dialogar com as preocupações do maior número possível de petistas, debater com quem não está no dia-a-dia do partido e com quem está dentro e fora do partido.
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* É sociólogo e reside em Santarém. Escreve regularmente neste blog.