Jeso Carneiro

Questão de tempo

por Sérgio Freire (*)

Foi. Cruzaram os olhares. Ou foram os clicks do mouse? Enfim… deu-se aquele momento em que a gente sabe que uma semente de querer sincero se apresenta para brotar numa frondosa árvore de amizade e, quiçá, de amor.

Aquela troca de mensagens traz algo além da mera conversa, ambos sabem. Nenhum dos dois acelera, no entanto. Deixam-se ir na inércia do tempo do tempo porque há coisas. É mais prudente. Não se apressa um rio. Ele corre sozinho.

‘En cada conversación, cada beso, cada abrazo, se impone siempre un pedazo de razón…’ A paciência é uma velha virtude que o amor respeita. Exploram-se, tateiam-se, conhecem-se. Falam e, com medo de ser demais, calam.

Dá-se um tempo de silêncio. Mas não é a pausa que permite a música? De repente, um dos dois espatifa o silêncio e retoma o script da vida. Vai-se um pouco além. Saem da zona cinzenta do sentido dúbio que permite o álibi do mal entendido para, pela primeira vez em tempos, falar dos dois em denotação.

Tem uma hora em que as metáforas cedem espaço para a língua direta deitar e rolar. Isso é uma metáfora. E não é. Deitaram e rolaram. Mãos, bocas, línguas. Estavam fadados a isso.

Eles sabia desde aquele longínquo dia que isso aconteceria. ‘Longínquo’ ainda tinha trema quando a chama crepitou pela primeira vez…

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* Amazonense, é escritor, professor doutor e tradutor. Além de blogueiro.  Escreve regularmente neste blog.

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