Jeso Carneiro

Vagalumes selvagens na escuridão das cidades I

por Gilson Costa (*)

No Brasil, nas três últimas décadas, vivenciamos nascerem, crescerem e se degenerarem muitos setores de esquerda, inclusive partidos e movimentos inteiros, os exemplos máximos são: PT, MST, FSM, PSOL e agora indícios dessa degeneração também se instalam no PSTU. Quanto ao PCB e PCdoB, são partidos stalinistas (e quem conhece a História sabe).

O Partido Verde – PV se tornou uma legenda de aluguel, burguesa, assim como PPS, PSB, PTB e PDT. Estes últimos chegaram ser, em algum momento, confundidos como partidos de esquerda por alguns setores das massas e movimentos.

Obviamente que há muito a composição social, direção e suas práticas e alianças mostram quem são esses partidos, suas políticas, e seus políticos. Mas estes partidos e seus corruptos políticos não importam aqui nesta reflexão. Por esses motivos não gastaremos nosso tempo e vossa atenção com estes.

Fundamentalmente é preciso chamar atenção para os partidos, movimentos e organizações que antes tínhamos como aliados plenos, táticos e estratégicos do proletariado. Partidos e movimentos sociais que agiam no campo e na cidade, por muitas gerações – ao menos três – onde milhares de companheiros e companheiras de lutas, se dedicaram a construí-los. Muitos deram suas vidas, juventude, tempo, dinheiro, sofreram privações físicas, biológicas, afetivas, etc.

Toda a História da Ditadura Militar no Brasil (1964-1985) está aí para provar fartamente, ainda mais cabais estão as provas contemporâneas da História da Nova República (1985-2012). Feitas as contas, somadas lá se vão quase cinco décadas de História Política Brasileira. Mas afinal, podemos perguntar: O QUE ACONTECEU?

As principais organizações e seus dirigentes políticos se adaptaram parcial e/ou completamente, não resistirem diante da ascensão dos Governos de Frentes Populares de Lula/Dilma (PT, PCdoB, PMDB e demais partidos burgueses da base aliada); dos intensos ataques da direita tradicional (DEM, PSDB, etc., que não aceitaram perder o comando político direto); da gigante pressão do imperialismo, da burguesia e do capitalismo decadente, em crise mundial (que coloca os governos ditos de “Esquerda” e/ou de “Frente Popular”, contra os trabalhadores e trabalhadoras); sobretudo estas organizações de esquerda sofreram pela traição mundial do projeto histórico do socialismo por parte do stalinismo e seus horrores.

Diante das avalanches de escândalos em suas fileiras, deploráveis desmoralizações e desmoronamento social, político, teórico, moral, militante, que PT’s, PC’s e PS’s tiveram em todo o mundo e no Brasil, em particular, seria preciso teses e mais teses de 600 páginas, para explicar minuciosamente o problema.

Talvez todas ou quase todas chegassem às conclusões velhas, conhecidas, há muito dos marxistas, desde os tempos de Rosa Luxemburgo, que no interior do Partido Social Democrata Alemão, combatendo a ala direita, oportunista, em sua obra marco, Reforma ou revolução, publicada ainda em 1898, já mostrara essa degeneração das alianças e capitulações! Assim como estão presentes em Vladimir Lênin, em Marxismo e revisionismo, obra publicada em 1914 ou ainda de um pouco conhecido e discreto marxista, Albert Einstein, que escreveu Porque o socialismo? Este último um texto singelo, mas fulminante, do maior cientista natural do século XX, isso nos idos de 1953, depois do horror-holocausto Nazista, Fascista e Stalinista.

O leitor e/ou leitora poderia perguntar, que tem a ver esses autores e obras com o contexto da atual degeneração política, ideológica e moral do PT, PSOL e PSTU?

Tudo. A morte, a dor, a vergonha, e a desmoralização pública. Mais, um atraso imenso na construção da consciência política crítica coletiva do proletariado! Sua Educação Socialista Revolucionária. Por isso a necessidade de voltar a essas reflexões, atualizar e construir novos rumos – uma tarefa para todos os revolucionários e revolucionárias.

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* É cientista social, professor doutor, trabalha no Instituto de Ciências Sociais Aplicadas/ICSA, da UFPA/Campus Belém.

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