Arquiteto e especialista em engenharia de trânsito, Ary Rabelo comenta o post Por que não tirar os veículos da área comercial?:
A ideia de retirar os veículos do centro comercial, formada pelo polígono citado por J.Ninos, decerto já deve ter sido pensada por todos os gestores, sejam prefeitos, presidentes de associações, CDL etc. Apenas trocaria o termo que Tiberio utilizou, de “replanejar” por “planejar”, uma vez que nunca foi feito um planejamento de tráfego para a nossa zona comercial.
Mas além do planejamento, o problema é executá-lo.
Vontades políticas e financeiras são os maiores entraves. Mas me atenho apenas ao planejamento, como fazer para minimizar o problema de estacionamento nesta área. Em especial, retirar ou proibir o estacionamento de veículos transformando o espaço em área de pedestres.
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Vamos a alguns pontos que acho importantes para análise e posterior tomada de decisões.
1 – Atualmente esta área acomoda uma demanda de aproximadamente 400 vagas para estacionamento de veículos.
2 – Entre essas 400 vagas, estão incluídas os estacionamentos especiais ou onde o estacionamento é privativo como: carga e descarga, veículos oficiais, de táxis, de mototáxi, de estacionamento privativo de repartições públicas, estacionamentos particulares, garagens particulares, em frente igrejas, hotéis, bancos públicos e particulares. Que juntos somam aproximadamente 200 vagas.
3 – Neste cálculo, restam 200 vagas para veículos particulares.
Primeira conclusão: O problema há de ser olhado não só para o estacionamento de carros particulares, mas também com os demais estacionamentos ditos especiais. Caso seja uma “ilha de pedestre”, como haverá de se proibir o acesso a essas vagas? Como o carro chegará ao hotel? Como o residente na área chegará à garagem de sua casa? Como o carro forte chegará ao banco?
Primeira resposta: permitindo o acesso somente a esses 200 veículos (com autorizações especiais), o que se retiraria da área a circulação dos outros 200, diminuindo assim o fluxo, e aumentando o conforto. Mas e para onde iriam os outros 200 veículos?
Segunda resposta: pelos meus cálculos, a avenida Tapajós e Praça do Pescador, com um bom ordenamento e planejamento de estacionamento, abrigariam 150 veículos e estacionamento para motos seria sobre o calçadão, onde sempre fica a barraca da Santa. Os outros 50, se acomodariam na Praça da Matriz, na área em frente à Receita Federal e que seria transformada em área de estacionamento pago e gerenciado por qualquer entidade beneficente.
Resumo: a solução abaixo é uma das possibilidades, logicamente para sua execução é necessário um estudo mais aprofundado:
1 – Todos os dias e em qualquer horário, só permitir o acesso nesta área e com autorizações especiais, os veículos carros e motos (caso tenha esquecido algum completem por favor):
a) Particulares de moradores da área.
b) Oficiais cujas repartições públicas estiverem ali situadas.
c) Oficiais das policias.
d) Tipo carro forte.
e) Táxi com passageiro
f) Ambulâncias
2 – Em horários especiais noturnos, a partir das 20h, seriam permitidos o acesso para todos os veículos.
3 – Como consequência, ficaria proibido o acesso e permanência na área e no horário de expediente (excetuando os citados acima):
a) Táxis sem passageiros
b) Moto táxi
c) Veículos particulares tipo automóveis.
d) Motocicletas
e) Veículos de carga e descarga
f) Caminhões de quaisquer toneladas.
4 – Ações a serem executadas:
a) Transferir todo estacionamento privativo de táxis e mototáxis para as travessas 15 de agosto, 15 de novembro e Dos Mártires, entre as av. Rui Barbosa e São Sebastião.
b) Proibir carga e descarga de mercadorias no período de 7 às 20 horas.
c) Ordenar o estacionamento de veículos e motos somente na Av. Tapajós.
d) Proibir mototáxi de trafegar na av. Tapajós entre a travessa dos Mártires e Praça do Pescador.
Enfim, é o que rapidamente coloco para análise de todos, no sentido de que colaboremos para uma solução final. Não há de se pensar em planejamento de tráfego sem que os usuários sintam que foram estudadas todas as possibilidades e o direito que lhes foi retirado de um lado, lhes foram repostos de outro.