Jeso Carneiro

Jornalismo, logomarcas e informação

Do professor universitário e jornalista Milton Mauer, por e-mail:

Uma das teorias do jornalismo que responde por que as notícias são como são é a teoria organizacional. Os interesses dos donos da empresa jornalística influenciam e determinam o conteúdo jornalístico.

As assessorias de imprensa das instituições se esforçam para que o nome da empresa para a qual prestam serviço apareça nos veículos, afinal, grande maioria das pautas surgem das atividades destas, e seus profissionais são fontes, estabelecendo-se aí uma relação de dependência.

A maneira de se fazer visto, por exemplo, levou os assessores a prenderem a logomarca da empresa nos microfones, como vemos nas entrevistas coletivas dos técnicos e jogadores de futebol. Desta maneira não há como deixar o nome da empresa fora de quadro.

Aqui em Santarém a queixa de instituições neste sentido também ocorre. Quando suas assessorias enviam relises de eventos, os repórteres, editores e apresentadores são orientados a não mencionar o nome da instituição. Quem sai prejudicado é o ouvinte ou o telespectador.

Quando a nota é dada o ouvinte a recebe incompleta. O que não pode acontecer no jornalismo. Um bom texo de notícia deve primar pela objetividade, clareza, concisão e precisão. Para atender a isso, logo no começo do texto devem ser respondidas as perguntas básicas do ouvinte, leitor ou telespectador: o quê, quem, como, onde, quando e por quê?

O ouvinte não tem estas questões respondidas quando se noticia “uma instituição da cidade promove um seminário sobre….” O interessado pelo tema vai ter que percorrer todas as instituições da cidade para descobrir.

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