Jornalismo, logomarcas e informação

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Do professor universitário e jornalista Milton Mauer, por e-mail:

Uma das teorias do jornalismo que responde por que as notícias são como são é a teoria organizacional. Os interesses dos donos da empresa jornalística influenciam e determinam o conteúdo jornalístico.

As assessorias de imprensa das instituições se esforçam para que o nome da empresa para a qual prestam serviço apareça nos veículos, afinal, grande maioria das pautas surgem das atividades destas, e seus profissionais são fontes, estabelecendo-se aí uma relação de dependência.

A maneira de se fazer visto, por exemplo, levou os assessores a prenderem a logomarca da empresa nos microfones, como vemos nas entrevistas coletivas dos técnicos e jogadores de futebol. Desta maneira não há como deixar o nome da empresa fora de quadro.

Aqui em Santarém a queixa de instituições neste sentido também ocorre. Quando suas assessorias enviam relises de eventos, os repórteres, editores e apresentadores são orientados a não mencionar o nome da instituição. Quem sai prejudicado é o ouvinte ou o telespectador.

Quando a nota é dada o ouvinte a recebe incompleta. O que não pode acontecer no jornalismo. Um bom texo de notícia deve primar pela objetividade, clareza, concisão e precisão. Para atender a isso, logo no começo do texto devem ser respondidas as perguntas básicas do ouvinte, leitor ou telespectador: o quê, quem, como, onde, quando e por quê?

O ouvinte não tem estas questões respondidas quando se noticia “uma instituição da cidade promove um seminário sobre….” O interessado pelo tema vai ter que percorrer todas as instituições da cidade para descobrir.


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3 Responses to Jornalismo, logomarcas e informação

  • “No último dia 20, antes de declarar publicamente seu apoio a Serra, a Agência Estado, uma das empresas do Estadão, publicou que a passagem de Serra por um comício no Tocantins reuniu 20 mil pessoas. O tucano reunir tanta gente já é estranho, mas a matéria tropeçou num “pequeno” erro: Serra nem tinha viajado ao Tocantins devido ao mau tempo em São Paulo. Outro “detalhezinho” à toa é que a notícia foi divulgada pela agência às 13h07, duas horas antes do início do evento. E lá estava escrito que a passagem de Serra durou menos de quatro horas e chegou a reunir 20 mil pessoas. Esse é o jornalismo de premonição praticado por um dos principais jornais do país. Antes mesmo do fato, a matéria já estava pronta, com destaque para o protagonista que faltou e até o público presente. Só faltaram aspas do Serra atacando Lula ou Dilma, que poderiam ser aproveitadas de qualquer outra matéria ou do editorial que ainda viria.

    A Agência Estado é uma agência de notícias poderosa e o material que produz é comprado por muitos jornais e portais em todos o país. Não se sabe quantos reproduziram sua notícia fictícia, que chegava a descrever detalhes, como o de que mais de 100 prefeitos do estado, além de senadores, ficaram “em torno do tucano” para comício e carreata. É o primeiro caso de comício por projeção holográfica da história, ou então o Serra mandou seu ectoplasma lá para o Tocantins.

    O diretor de redação do Estadão em Brasília, João Bosco Rabelo, disse ao site Comunique-se que a matéria foi publicada por acidente, em função de uma falha no sistema de publicação. Que coincidência, não é? Segundo o jornalista, o que a Agência Estado faz na cobertura de eventos que podem ultrapassar o deadline (qual será o deadline de uma agência que fica 24 hhoras no ar?) é apurar todas as informações possíveis e redigir um texto bruto, que fica arquivado no sistema de captação, em uma gaveta chamada “Prévia”. Após o término do evento, o mesmo repórter entra em contato com a redação para dar as informações adicionais.

    Só que a agência do Estadão publicou a tal prévia antes mesmo do evento começar. O diretor de redação da sucursal de Brasília disse que a situação descrita no texto era verdadeira. “O texto que a repórter mandou no fim da tarde era praticamente o mesmo, apenas dizia que o Serra não esteve lá”. O que o Estadão chamou de acidente só foi corrigido porque o site de Ciro Gomes publicou a mancada. Quatro horas e meia após o erro crasso, a Agência Estado publicou nota dizendo que Serra não esteve em Tocantins devido ao mau tempo que fazia em São Paulo. Às 21h09, segundo o Comunique-se, a Agência Estado reconheceu o erro, que classificou como “técnico”. (Do blog Tijolaço).

    É por essas e outras….

  • A discussão é interessante, sempre factual e dá um seminário. Resumo de tudo isso se chama interesse econômico das empresas (há interesse de quem paga e de quem recebe). Eu, nos mais de quarenta anos de rádio, jornal e TV, sou testemunha viva dos acontecimentos (como dizem alguns colegas) nesses meios. Muitas páginas da “minha editoria” foram retiradas para dar espaço a um baita balanço de uma multinacional, no fim de semana, e deste vir dinheiro que garantia uma folha salarial mensal da empresa jornaística e ainda sobrava uma ponta para o décimo terceiro. Eu noto atualmente que nos meios de comunicação (não vamos vulgarizar) o leitor está em terceiro plano, pois se vê na própria indigência na qualidade textual das matérias. Lógico, existem também outros interesses em jogo. Mas, teve dinheiro, você só não compra um meio de comunicação como pode até montar um. Se ele vai progredir no seio do universo leitor, aí tem início uma outra notícia. É apenas minha opinião, e posso estar completamente errado.

  • Certíssimo caro Milton Mauer, as emissora ainda não conseguem enxergar como isso é maléfico a sociedade, essa falta de informação é clara e direta, se a emissora de rádio ou TV, não vai mensionar o nome da instituição então porque foi fazer a reportagem, porque divulgou o evento.

    “uma instituição da cidade promove um seminário sobre….” , essa frase mostra a falta de compromisso com a informação, ao meu ver se o meio de comunicação acha que vai apenas beneficiar a “INSTITUIÇÃO”, por outro lado a omissa dessa informação deixa a matéria pela metade.
    já aconteceu de ue ter que rodar por algumas horas até achar o evento anunciado pela matera de um jornal local.

    Acho que precisa haver um amadurecimento entre o que é notícia e o que é Merchandising.

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