Jeso Carneiro

UFOPA: hora de tirar as fraldas

Do professor doutor Anselmo Colares, sobre o post UFOPA completa 2 anos:

A universidade tem sido o “meu barco” há algumas décadas. Por isso mesmo, creio que possa dizer algo sobre ela. Mas sem a pretensão de impor verdades. E bastante aberto para receber as críticas que contribuam para que eu e outros possamos rever conceitos, desenvolver ações e contribuirmos para a melhoria da vida das pessoas e da sociedade na qual estamos inseridos, e para a qual devemos servir, por meio da universidade que estamos construindo.

A universidade continua sendo o mais importante espaço de elaboração do conhecimento e, por isso mesmo, desejada por todos aqueles que acreditam que ela possa protagonizar os avanços indispensáveis para a promoção da melhoria de vida humana, a partir da utilização dos recursos provenientes da natureza, mas, sem desconsiderar os princípios éticos e estéticos dessa relação.

Todavia, não se trata de um projeto para o qual haja aceitação unânime. Daí porque a criação e a implantação de uma universidade pública federal seja tão desejada, e ao mesmo tempo tão conflituosa.

Nesse sentido, a Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) é um sonho que, para alguns, corresponde a quase perfeição, para outros, virou pesadelo. Felizmente que para a maioria representa esperança. Eu a considero nem melhor nem pior que outras.

Até porque ela não conseguiu se desvencilhar de alguns padrões e procedimentos institucionais autoritários e excessivamente burocráticos. Continuou funcionando e seguindo o ritual concebido pelas instituições que a originaram, das quais herdou as mazelas que se apresentam nitidamente no corporativismo e na supremacia das atividades meio sobre a atividade fim.

Aqui não estou me referindo a nenhuma esfera específica da gestão. E, ao mesmo tempo, a todas elas. Quando digo que comporta padrões autoritários e burocráticos me refiro inclusive a processos que estão presentes nas salas de aulas, nos movimentos de docentes e de discentes. Se queremos uma universidade que esteja além dos interesses imediatos que movem as vaidades e os ambições pessoais, precisamos todos rever conceitos e práticas.

A universidade é plural, e assim deve ser. Nela estão desde os que produzem, difundem e defendem determinadas idéias, até os seus mais ferrenhos opositores. Estão também os que apóiam e aplaudem governantes, e os que lutam para derrubá-los.

Mas, acima de tudo, devem estar pessoas que se esforçam para conviver de forma respeitosa, mesmo que
pensando e agindo de maneira tão antagônica. E é isto que faz da universidade uma instituição tão singular e tão importante para a sociedade.

Que a UFOPA (leia-se, seus integrantes) possa desempenhar a importante tarefa de promover a formação de profissionais qualificados, além de produzir conhecimento que se traduz em realidades materiais, ao mesmo tempo em que alimente as utopias por uma sociedade justa e fraterna. É hora de tirar as fraldas, e começar a pisar firme no chão, se quisermos dar passos significativos.

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