por Nelson Vinencci (*)
O show é uma mistureba de diversos movimentos artísticos de Belém, uns pegando carona dos outros. E para dar credibilidade ao espetáculo, convocaram o artista sanatreno de renome internacional Sebastião Tapajós, que se mistura ao tecnobrega, à guitarrada, virando uma espécie de tigelada de açaí azedo com farinha de tapioca.
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A idéia Ney Messias foi levar para São Paulo as coisas boas que ele acha que o Pará produz, como a comida granfina que ele gosta, a música de massa que ele adora e outros movimentos artísticos de Belém que seus chegados embandeiram por lá. O tal Terruá não parece ser algo tão maléfico assim, apesar de ser pago com o nosso dinheiro, pois o espetáculo custa aos cofres públicos a bagatela de R$ 3 milhões.
Então o Terruá aconteceu com sucesso. São Paulo foi dos de Belém por 2 dias de boa festa. Bem, para você entender o tal termo TERRUÁ é uma invenção, o tal neologismo, fenômeno linguístico que consiste na criação de uma palavra ou expressão nova. Essa vem do francês TERROIR, termo usado para identificar que um produto é original de um determinado lugar. Terruá do Pará, então, quer dizer: genuinamente paraense.
Viajou assim Ney Messias, o pensador do megashow de R$ 3 milhões. O show Terruá Pará foi montado para as duas apresentações de São Paulo, até aí nada de mais, mas logo surgiu a idéia de mostrar o tal megashow em Belém e depois em outras cidades do Pará. É aí que começa a levantar algumas suspeitas.
Já houve mais de uma apresentação em Belém, e foi um estouro de público, então os ‘artistas de Belém’ se aproveitaram do ensejo escancararam uma campanha a favor do ‘NÃO’ a Carajás e Tapajós. Claro, só tem os de Belém.
Tem o Sebastião Tapajós, mas não sei se ele defende realmente o Tapajós. Nunca tratei disso com ele. Para mim, ele está sendo usado pelos de Belém, mas bem pago claro, tenho certeza. O que me intriga é que o show acabou de virar uma campanha a favor do ‘NÃO’, paga como dinheiro do povo também do Carajás e Tapajós.
O tal espetáculo tem pretensão de ir a Marabá, no sul do Pará, e a Santarém, com a missão de quê? Invocar o Pará que eles querem, que é do jeito deles, que eles acham justo e lindo? Sei muito bem, por que me apresento como músico de barzinho na noite e compreendo que todo artista tem total liberdade para se expressar no palco, ser o que quiser. Só acho que, nesse caso, o show é pago com o dinheiro do povo do Pará e, por isso, a história é outra.
Estamos num período pré-plebiscito, que implica em três campanhas, uma do Carajás, outra do Tapajós e outra de Belém. O que não pode é o Jatene bancar R$ 3 milhões para artistas da capital fazerem campanha disfarçada de show das coisas boas do Pará. Que o tal Terruá viaje por todo o Pará, sem nenhum problema, o que não pode é usar o dinheiro do povo que quer se emancipar contra ele mesmo. Ou seja, caso o Terruá venha para Santarém vamos ter que aguentar aquelas baboseiras de Belém berrando e chorando no palco?
Aí é ralado!
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* Cantor, compositor e blogueiro, é tapajônico de Oriximiná e reside em Santarém. Escreve regularmente neste blog.
