Onde andarão as borboletas?
Dedicada a todas as famílias, estejam os membros vivos ou mortos, que moram ou moraram na Av. Adriano Pimentel, nesta cidade de Santarém-Pa
Onde andarão as borboletas?
Graciosas, sutis, belas, multicores,
portadoras de fantasiosos presságios
àqueles homens antigos e meninos
prosadores das tardes nos barrancos?
Onde andarão as borboletas
passageiras do tempo, do vento,
mutantes corredeiras dessas gerações
insepultas na memória desta rua,
que voavam desordenadas, suaves,
pelos rios, praia, mangueiras,
pousando nesses elegantes casarios?
Borboletas graciosas, sutis, belas, multicores,
outrora vistosos broches dessa paisagem
que mareja meus olhos quixotescos
a comprimirem os rios em lagos,
represando-os com castelos de areia,
enquanto desatam as amarras
da lua, dos astros, de infinitas voltas
entre o trapiche e as mangueiras.
Onde andarão?
Borboletas, graciosas, sutis, belas, multicores,
voltai urgentemente neste século ainda,
atraindo gerações aos antigos barrancos.
Necessário que confabulem, filosofem, amem,
nessa paisagem, antes que virtuais se tornem.
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De Edwaldo Campos, poeta amazônico nascido em Alenquer e residente em Santarém.