por Nelson Vinencci (*)
Está bastante claro que só agora o governo Jatene resolveu levar o tal espetáculo aos polos de Santarém e Marabá, epicentros do separatismo, que deve se consumar em dezembro, com a consciência do povo paraense de que todos ganham com este inevitável projeto.
Ao se defender, ao mesmo tempo me atacando, o senhor secretário estadual de Comunicação escreveu aqui no blog, no item 6º) “Que todos os artistas que participam do Terruá Pará ganham cachês simbólicos. ‘Sebastião Tapajós ganhou R$ 1.500 pelos dois shows’”.
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Menos verdade, secretário Ney Messias, menos verdade, pois este link AQUI nos leva à publicação de nº 238240. “Inexigibilidade: 15/2011, Data: 30/05/2011, Valor: 3.929,00, Objeto: A presente inexigibilidade tem como OBJETO, a realização, por SEBASTIÃO TAPAJÓS PENA MARCIÃO, de apresentação musical na cidade de São Paulo/SP no projeto “Terruá Pará”, nos dias 24 e 25 de Junho de 2011. Fundamento Legal: Conforme dispõe o inciso III do art. 25º, da Lei nº 8.666/93 e alterações. Orçamento: Programa de Trabalho Natureza da Despesa Fonte do Recurso Origem do Recurso 24722119727970000 339036 0101000000 Estadual Contratado(s): Nome: SEBASTIÃO TAPAJÓS PENA MARCIÃO Endereço: Tv Mogno, Bairro: Maracanã, 393 CEP. 68035-420 – Santarém/PA Telefone: 9191224506 – Ordenador: ADELAIDE OLIVEIRA DE OLIVEIRA”.
Aqui, a gente mata a cobra e mostra o pau e a cobra, mas para fechar essa parte chata que é mostrar algo que o senhor quis esconder não sei por que. Sinceramente, não entendi porque não disse que Sebastião Tapajós recebeu os R$ 3.929,00, achei estranho, por Deus!
Para mim, o senhor quis desvalorizar nosso artista, humilhar para ser mais preciso, pois é tolice sua achar que alguém iria acreditar que um artista do nível do Sebastião Tapajós receberia R$ 750 reais por show, para se apresentar em São Paulo.
Mas tenho algo mais interessante para lhe dizer e tem que ser agora, enquanto nosso embate está taioso: o senhor sabia que a música mais conhecida do Pará no Brasil é “Poema de Amor”, do maestro Wilson Fonseca, na interpretação do santareno Odilson Matos?
Outra canção popular que vem atravessando as gerações chama-se “Sufoco”, de um santareno, Antônio José, em parceria com Chico da Silva, que tem também “Chuva de Verão”, outro clássico imortal da música brasileira?
Acontece que o estado do Tapajós tem filhos ilustres que o senhor deixou de fora do Terruá, como a Joelma, da banda Calypso, que é de Almeirim; o Eduardo Dias, de Óbidos; o nosso Antônio José, do Sufoco; Nato Aguiar, Jana Figarela, Cristina Caetano, que gravou recentemente um disco belíssimo, com composições inéditas do Billy Blanco e outros mais.
Não sei qual o critério para a escolha dos artistas do seu Terruá, mas sei que é injusto, pois o tecnobrega – e essa tal banda Gang do Eletro, que mordeu R$ 7.360,00 de cachê – não mereciam estar nesse evento. Qualquer um desses artistas tapajônicos que citei é melhor que os seus tecnobregas, e mais: tem história na música paraense e brasileira.
Se a intenção é vender o que o Pará tem de bom, o seu Terruá não cumpriu a missão.
E para finalizar: a Agenda Mínima mostra que o governo Simão Jatene vai gastar R$ 16 milhões nos quatro anos de mandato com cultura. Só o Terruá Pará, apresentado na tal Agenda Mínima, estava orçado em R$ 3 milhões, que representa quase 20% do montante do que o Jatene ainda vai investir no Pará na cultura.
Portanto, secretário, menos, menos.
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* Cantor, compositor e blogueiro, é tapajônico de Oriximiná e reside em Santarém. Escreve regularmente neste blog.