Jeso Carneiro

Ataque às escolas: mais atenção dos pais e menos polícia. Por Silvan Cardoso

Ataque às escolas: mais atenção dos pais e menos polícia. Por Silvan Cardoso
Creche de SC que sofre ataque de um homem há poucos dias. Foto: Reprodução

Depois dos recentes ataques e das disseminações de notícias falsas, tenho acompanhado em publicações, nas redes sociais, grupos de policiais dando as devidas orientações aos alunos nas salas de aula. Uma atitude válida, mas não única.

Eu recomendaria convocar também os pais dos alunos para essas orientações nas sala de aula. Já tem um tempo que pais e mães deixaram de lado o compromisso de acompanhar os filhos nas escolas.

Uma das desculpas é a “falta de tempo”. Quantos são os pais que olham os boletins escolares? Quantos são os que entram em contato com a direção de um estabelecimento de ensino pra saberem como estão indo os seus pimpolhos?

Já tem um tempo que vejo pais e mães darem aos seus filhos “tudo o que não tiveram quando eram crianças”. Hoje em dia, recebem tudo de mão beijada. Perdeu-se a ação pela conquista, o merecimento de algo com o próprio esforço. Tudo se tornou fácil para quem ainda mal começou a vida e que necessita das dificuldades para entenderem o mínimo de como é viver a vida.

Pior do que oferecer facilmente tudo às crianças, não são todos os pais que as chamam para conversar. Não há aquela conversa cara a cara. Cria-se barreiras para assuntos considerados tabus. Tratar de assuntos, como sexualidade, tem sido atitude de poucos.

A autoridade dentro do lar parece que mudou de posição: os filhos mandam e os pais obedecem. Desaprendeu-se a dizer NÃO. Tudo o que um bebê ou um adolescente quer é fornecido pelos responsáveis sem qualquer dificuldade.

Já tem um tempo que não vejo os pais brincarem com os seus filhos. Aliás, raramente os pais leem bons textos para seus filhos.

Ao invés de se dedicarem às atividades pedagógicas, de terem o trabalho de educarem como se deve e obterem os resultados adequados, fornecem um smartphone com acesso à internet. Sim, um celular acalma e distrai uma criança, mas não educa!

Criança focada no celular: distrai, mas não educa. Foto: Reprodução

Sim, há os que compram brinquedos adequados, para que os filhos possam manusear e interagir. Mas não basta os pais apenas darem os brinquedos aos pequenos. É preciso brincar com eles também! É preciso ditar as regras, dizer como se deve fazer e fazê-los obedecer.

Já tem um tempo que os pais dão autonomia aos filhos menores de idade. Se mexe nas suas coisas é invasão de privacidade, se entra no seu quarto é invasão de privacidade, se mexem no seu é invasão de privacidade… ué? Os filhos ainda estão sob a responsabilidade dos pais! É essencial que eles fiscalizem e orientem como se deve. É obrigação dos pais agirem como pais!

Mas o que vemos é uma algazarra no lar. Os filhos são os que mandam e que desobedecem. Os filhos exigem algo e os pais dizem “sim”. Dá-se um mar de rosas para quem, lá na frente, precisará encarar um deserto cheio de desafios. Acostuma-se um filho com doçuras, quando é fundamental ele aprender a gostar do salgado, do azedo e do amargo.

Obviamente que a má educação em casa refletirá de forma implacável nas escolas e, consequentemente, na convivência social.

O caráter dos pequenos não é compromisso dos professores. É urgente entender o papel do lar e o papel do estabelecer de ensino para quem tem muito o que aprender na vida. Dar força à “falta de tempo” e não priorizarem presença na vida de seu rebento é contribuir imensamente para uma vida cheia de problemas.

Ame seu filho, educando-o corretamente!

Silvan Cardoso

É poeta, cronista e pedagogo nascido em Alenquer, no Pará. Escreve regularmente no JC.

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