
Não há dúvida de que a retirada dos militares norte-americanos do Afeganistão é o maior erro geopolítico dos EUA e Europa no Século XXI. Imperdoável pelo primarismo.
Assim como na Política Nacional (PN), na Política Internacional (PI) não existe vácuo de poder. Se um grupo de poder abandona um espaço, outro vem e o ocupa. Diga-se de passagem que este foi um dos erros cometidos PT na gestão do poder no Brasil, quando abdicou de exercer o poder sobre as Forças Armadas, o MP, a PF e o Judiciário, espaços de poder que, após serem controlados pela oposição, ajudaram a derrubar o partido e suas lideranças.
No cenário internacional, o que acontece neste momento com o Afeganistão é exemplar: o novo governo deverá ser reconhecido a curto e médio prazos por atores geopolíticos importantes como China, Rússia, Paquistão, Irã e Coreia do Norte. Com isso, o bloco de poder liderado por China e Rússia na Ásia ganha um aliado estrategicamente importante contra o bloco de poder geopolítico liderado por EUA e União Europeia.
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Não só pela sua localização geográfica, que ajuda a fortalecer a blindagem militar de parte do território chinês e russo, os Talebans carregam consigo uma longa experiência em guerra, terrorismo e resistência contra as potências ocidentais que constituem material militar precioso.
O grupo terrorista está afagando os russos, antigos inimigos, e já consolidou relações diplomáticas com a China. Caso cumpra os acordos de moderação no exercício do poder contra a população civil, deverá estender suas parcerias diplomáticas, políticas, militares e econômicas para os demais países citados, além de outros, e se consolidar no cenário internacional.
Cada vez mais vivemos uma ordem internacional bipolar, mas não mais entre dois grandes países e sim entre dois grandes blocos de poder: o Ocidental e o Asiático. Com a conquista do Afeganistão pelo Taleban, o bloco Asiático sai fortalecido e o bloco Ocidental sai enfraquecido no jogo geopolítico.