Jeso Carneiro

Ministra do STF suspende decreto de Bolsonaro que deu indulto a PMs do massacre do Carandiru

Ministra do STF decreto de Bolsonaro que deu indulto a PMs do massacre do Carandiru
Rosa Weber, ministra do STF: não atos públicos insuscetíveis de controle. Foto: STF

A ministra do STF (Supremo Tribunal Federal) Rosa Weber suspendeu parte do decreto do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que perdoava os policiais militares condenados pelo massacre do Carandiru, em 1992.

Em decisão assinada ontem (16), Rosa atende ao pedido da PGR (Procuradoria-Geral da União) até que o relator do caso, o ministro Luiz Fux, retorne do recesso. Para ela, se a matéria não fosse julgada com urgência, poderia ter “efeitos concretos irreversíveis”.

A PGR argumenta que ao perdoar os PMs, o decreto do ex-presidente “afronta a dignidade humana” e os princípios básicos do direito internacional, já que um relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos) declarou que o governo brasileiro era responsável pelas graves violações que aconteceram no presídio paulista, e que deveria agir para evitar que algo semelhante ocorresse novamente.

Controle: contraponto

Rosa já havia pedido a Bolsonaro e à AGU (Advocacia-Geral da União) que justificassem o motivo para o perdão, ao que o governo respondeu que o indulto era direito do presidente, em que não caberia interferência do Judiciário. Na decisão, a ministra rebateu.

“É imperativo afirmar e reafirmar: não há, sob a égide da Constituição Federal de 1988, atos públicos insuscetíveis de controle!”

Ela justificou ainda que o indulto poderia configurar “transgressão” às recomendações da Comissão da OEA.

Entenda a discussão sobre o último indulto natalino de Bolsonaro:

Para o PGR, indultos devem ser proibidos a crimes considerados hediondos, independente da data do crime.

Massacre do Carandiru deixou 111 mortos. Os policiais condenados foram sentenciados a penas que variam de 48 a 624 anos de prisão pelas mortes no Pavilhão 9 da penitenciária de mesmo nome em São Paulo, em 1992. As penas foram confirmadas pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça). Bolsonaro já havia prometido a apoiadores que perdoaria os PMs envolvidos no crime.

Com informações da Uol

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