por Telmo Moreira Alves
Fiquei, a princípio, exercendo a anestesiologia e a hemoterapia, pois eu e o anestesiologista que me convidou para vir trabalhar em Santarém tínhamos um banco de sangue particular, que era uma necessidade para a cidade, visto não existir então os hemocentros.
No mês de setembro daquele ano, num papo com um amigo que conhecia de Belém e que aqui estava como administrador do Centro de Atividades de Santarém do Sesi (Serviço Social da Indústria), que, como curiosidade, não tinha nada a ver com o Sesi/Belém, visto na época dos governos militares os centros de atividades de Altamira, Marabá e Santarém eram chamados Sesi/Transamazônica e ligados diretamente ao Sesi nacional, que ficava no Rio de Janeiro.
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Pois bem, o amigo administrador me convidou para trabalhar no Sesi/Santarém e, como alguns dias o ambulatório funcionava no horário noturno, o que diminuía o conflito com as anestesias, aceitei e fiquei por lá até janeiro de 1981.
O Sesi disponibilizava para os usuários e alguns comunitários um ambulatório médico, inclusive alguns dias no horário noturno e também um programa de Educação em Saúde, tão comum hoje, mas que eu nunca tinha ouvido falar na faculdade e fui mandado para o Rio de Janeiro fazer um curso na FGV (Fundação Getulio Vargas).
O médico, juntamente com odontólogo, assistente social e outros profissionais, atuávamos em palestras e ações junto ao Clube de Trabalhadores, Clube de Mães e a Escola do Sesi que funcionava ao lado do Parque da Feira Agropecuária, no bairro da Prainha.
A maioria dos usuários do Sesi era funcionário da Tecejuta, que já exibia sinais de fragilidade, mas ainda era a maior industria do oeste do Pará, funcionando inclusive no horário noturno. A maioria deles residia ali no que hoje chamamos a grande Prainha, que inclui os bairros da Prainha, Santíssimo, Santana e Uruará. Fiz muitos amigos e conheço a maioria pelo nome, como se naquela época eu já atuasse no que hoje se chama médico da família.
Hoje, quando por algum motivo, posto que lá não é a minha paróquia, tenho que participar de alguma celebração eucarística na Igreja do Santíssimo Sacramento, quando termina a missa normalmente fico um bom tempo abraçando e sendo abraçado por velhos amigos daquele tempo, sendo a maioria aposentados e ex-funcionários da velha Tecejuta. Ali normalmente saem abraços afagos, lembranças e freqüentemente lágrimas, que sempre me emocionam.
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