Eu me lembro: velhos pacientes, velhos amigos

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por Telmo Moreira Alves

Quando cheguei a Santarém, no ano de 1977, recém saído da residência médica de anestesiologia em Brasília, especialidade que escolhi no 2º semestre do 6º ano, continuava apaixonado pela clinica médica que tinha me dedicado durante todo o curso de graduação.

Fiquei, a princípio, exercendo a anestesiologia e a hemoterapia, pois eu e o anestesiologista que me convidou para vir trabalhar em Santarém tínhamos um banco de sangue particular, que era uma necessidade para a cidade, visto não existir então os hemocentros.

No mês de setembro daquele ano, num papo com um amigo que conhecia de Belém e que aqui estava como administrador do Centro de Atividades de Santarém do Sesi (Serviço Social da Indústria), que, como curiosidade, não tinha nada a ver com o Sesi/Belém, visto na época dos governos militares os centros de atividades de Altamira, Marabá e Santarém eram chamados Sesi/Transamazônica e ligados diretamente ao Sesi nacional, que ficava no Rio de Janeiro.

Pois bem, o amigo administrador me convidou para trabalhar no Sesi/Santarém e, como alguns dias o ambulatório funcionava no horário noturno, o que diminuía o conflito com as anestesias, aceitei e fiquei por lá até janeiro de 1981.

O Sesi disponibilizava para os usuários e alguns comunitários um ambulatório médico, inclusive alguns dias no horário noturno e também um programa de Educação em Saúde, tão comum hoje, mas que eu nunca tinha ouvido falar na faculdade e fui mandado para o Rio de Janeiro fazer um curso na FGV (Fundação Getulio Vargas).

O médico, juntamente com odontólogo, assistente social e outros profissionais, atuávamos em palestras e ações junto ao Clube de Trabalhadores, Clube de Mães e a Escola do Sesi que funcionava ao lado do Parque da Feira Agropecuária, no bairro da Prainha.

A maioria dos usuários do Sesi era funcionário da Tecejuta, que já exibia sinais de fragilidade, mas ainda era a maior industria do oeste do Pará, funcionando inclusive no horário noturno. A maioria deles residia ali no que hoje chamamos a grande Prainha, que inclui os bairros da Prainha, Santíssimo, Santana e Uruará. Fiz muitos amigos e conheço a maioria pelo nome, como se naquela época eu já atuasse no que hoje se chama médico da família.

Hoje, quando por algum motivo, posto que lá não é a minha paróquia, tenho que participar de alguma celebração eucarística na Igreja do Santíssimo Sacramento, quando termina a missa normalmente fico um bom tempo abraçando e sendo abraçado por velhos amigos daquele tempo, sendo a maioria aposentados e ex-funcionários da velha Tecejuta. Ali normalmente saem abraços afagos, lembranças e freqüentemente lágrimas, que sempre me emocionam.

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