Jeso Carneiro

Edifício Aqua, 31 andares: construtora tem quase 340 ações na Justiça do Trabalho

Edifício Aqua, 31 andares: construtora tem quase 340 ações na Justiça do Trabalho, Edifício Aqua, 31 andares - João PauloJoão Paulo, vigia da obra: desempregado e sem receber seus direitos trabalhistas

 
Responsável pela construção do Edíficio Aqua, projetado para ser o mais alto prédio residencial de Santarém, a Aqua Empreendimentos Imobiliários acumula quase 340 ações na Justiça do Trabalho.

Ações movidas, na maioria, por trabalhadores que prestaram serviço à empresa na execução da obra.

Os dados, obtidos pelo Blog do Jeso junto ao TRT8 (Tribunal Regional do Trabalho) da 8ª Região (Pará e Amapá), referem-se só aos processos em tramitação em 1º grau – Santarém e Óbidos.

A Aqua Empreendimentos Imobiliários foi criada em 2012, pelos engenheiros Kleber Vianey Serique e Antonio Carlos Tuma, ambos de Belém.

Ações trabalhistas contra a Aqua em Santarém e Óbidos

 
Na terça-feira  (4), vários trabalhadores que se dizem vítima da empresa estiveram na Justiça do Trabalho em Santarém para cobrar celeridade no julgamento dos processos.

Um dos presentes foi João Paulo Silva de Sousa, 34 anos.

Ele trabalhou como vigia do canteiro de obras do Edifício Aqua de setembro de 2014 a dezembro de 2015. Nos últimos 3 meses, não recebeu um único centavo e nem os seus direitos trabalhistas – férias, 13º, indenização, entre outros.

A Justiça estimou em 13 mil reais o montante da dívida da construtora para com João Paulo.
 
OUTRO LADO
 
De acordo com o advogado Wilson Lisboa, da Aqua, a empresa não pagou até hoje as ações trabalhistas “porque não tem recursos para isso”.

“A decisão do juízo da 1ª Vara [de Santarém] que concedeu liminar aos condôminos, para que os valores das parcelas os contratos de compra e venda dos apartamentos fossem depositados judicialmente, ocasionou a paralisação da obra e consequentemente a dívida com os trabalhadores”, explicou ao Blog do Jeso.

Trabalhadores do Aqua estiveram na Justiça no início da semana cobrando seus direitos

 
Lisboa lembra que o edifício não é financiado por nenhuma instituição bancária, mas tão somente pelo pagamento das mensalidades dos compradores dos apartamentos.

“O que a empresa quer é que a Justiça lidere os valores para pagamento dos trabalhadores”, ressalta o advogado. “A Aqua jamais se opôs a quitar essa dívida”.

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