Professo e jornalista, Manuel Dutra também faz uma análise da migração do deputado estadual Nélio Aguiar para o DEM, em ato público a ser realizado amanhã (29):
Jeso,
Ao ler que o deputado Nélio Aguiar já passou por diferentes partidos e agora decide ingressar no DEM, lembrei do título do romance de Lima Barreto, publicado em 1911, “Triste fim de Policarpo Quaresma”.
Seria uma leitura interessante e oportuna para os políticos que vivem pulando de galho em galho, sem definição ideológica, e/ou em busca de posições mais pessoais do que coletivas. No final, as coisas deram errado para Policarpo, mas ele fracassou defendendo as suas ideias, mesmo malucas. Não foi um oportunista.
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Apesar do título sugestivo do romance, Policarpo Quaresma, o personagem principal, é um idealista apaixonado pelo Brasil, que vê suas ideias e seu patriotismo serem motivo de chacota e de isolamento, enquanto políticos corruptos e personagens vazios formam a elite do país.
Pequeno, magro, sempre de fraque e cartola, o protagonista é um major pacato e metódico que influenciado “por certas leituras”. Transforma-se em um nacionalista radical. Prega suas ideias com exaltação exagerada é julgado louco e internado, como quando apresenta um requerimento ao Congresso Nacional propondo a adoção do tupi-guarani como a língua oficial do Brasil.
Ao sair do hospício, Policarpo se dedica a um projeto agrícola, que é inviabilizado pela ação das saúvas. Por fim, tem participação na Revolta da Armada, onde enfrenta os rebeldes em apoio ao Marechal Floriano Peixoto, a quem admira e que com quem se decepciona.
Por se indispor com poderosos, Policarpo é preso e fuzilado…