Jeso Carneiro

Força, CR! Santareno e tapajoara de raiz. Por Helvecio Santos

Força, CR! Santareno e tapajoara de raiz. Por Helvecio Santos, Supermercado CR

por Helvecio Santos (*)

Soube, com tristeza, confesso, que o Supermercado CR entrou em recuperação judicial.

É um grupo genuinamente santareno, familiar, fundado há 65 anos. O Grupo CR tem 9 lojas,  cerca de 700 funcionários e inúmeros empregos indiretos.

Helvecio Santos (*)

Numa época em que o Brasil, e particularmente o Oeste do Pará, precisa desesperadamente de criar postos de trabalho e manter os existentes, é uma notícia desagradável e preocupante para todos os que pensam na nossa região e no Brasil.

Quando li a notícia lembrei-me de um episódio que se passou comigo há aproximadamente 25 anos aqui no Rio de Janeiro e, que me desculpe o Grupo CR, sem querer dar lição, passo aqui a contar.

Tive um prejuízo financeiro muito forte e no dia do acontecido, fiquei muito abalado. Na época morava sozinho. Fui para casa, tomei meu banho, fiz um lanche, deitei na cama olhando o teto e comecei a pensar nas opções.

No dia seguinte, fui até o credor, pedi uma semana de prazo. Para espairecer, fui visitar um cliente e eis que lá me deparo com a seguinte frase na parede de sua sala que, se lá existia, nunca havia notado: “Quando a luta é grande, os grandes homens lutam”.

Parecia feita para mim!

Sai dali com o firme propósito de enfrentar a situação, de frente, com garra. Afinal, me perguntei: sou um homem ou um rato?

O cara que saíra do beiradão do Amazonas, que enfrentara o gigante encrespado, que pescara charuto de litro, sardinha de enterra e ali estava, não podia fraquejar.

Lembrei-me também da Feira de Ciências no Dom Amando, onde o querido professor Nicolino Campos nos fez declamar I-Juca Pirama, de Gonçalves Dias, e lá estava: “Sou filho das selvas, Nas selvas cresci;…..; Sou bravo, sou forte, Sou filho do Norte;”. A lição do índio Timbira caia como uma luva e era hora de aplicar o ensinamento do ancestral.

Contatei alguns amigos que se colocaram à minha disposição e antes de uma semana lá estava eu na frente do credor, altivo como deve ser toda pessoa orgulhosa de seu mister e de seu proceder.  

Propus parcelamento e antes de seis meses havia pago a dívida e os empréstimos com os amigos que me socorreram.

Isso foi ou não foi o que para a pessoa jurídica se chama recuperação judicial?

Por um dia sequer perdi meu sorriso, pois ninguém gosta de tratar com pessoas com pregas na cara, e nem minha postura correta no trato com o alheio.

Melhor? Minha coragem não me levou ao desfecho que teve o guerreiro Timbira. Estou vivo!

O episódio serviu para eu me conhecer melhor, para ser mais cauteloso, para reforçar laços de amizade e para tirar a lição maior: as desgraças de hoje são as grandes piadas do futuro. Hoje quando lembro do que se passou, dou belas gargalhadas. Passei a ver que em todo sofrimento há uma oportunidade de crescimento. A opção é de cada um.

 

Nas palavras de Neimar de Barros, no livro Sorrindo, “Aprendi o valor do sofrimento e hoje sorrio das dores”. A dor nada mais é do que uma companheira, amiga, que vem para dizer que estamos no caminho errado.

Conto este fato que vivi como uma forma de dar meu apoio ao Sr. Cesar Ramalheiro, comandante do grupo CR, e a todos os membros da família CR, seja o faxineiro, o empacotador, caixas, gerentes, diretores.

A luta é grande mas, com fé em Deus e a ajuda de todos, sairão desse buraco que pode acontecer com qualquer empresa. O que faz a diferença é a reação e creio na família CR.

Óbvio, nessa torcida também há um lado interesseiro. O CR ajuda a montar meu parque de diversões quando visito Santarém. Parque? Sim! É nele que busco os melhores cortes de carne, as melhores linguiças, as melhores asinhas de frango, sempre acompanhadas de uma farta quantidade de cerveja para degustar com familiares e amigos.

E aí vem meu interesse. Na improvável falta do CR, onde buscarei meus “brinquedos” para montar meu “parque de diversões”?

Força CR!

Este ano ainda estarei na loja da Mendonça, ou da Turiano, ou da Nova República, sorridente, empurrando meu carrinho lotado de “brinquedos” rumo às simpáticas caixas, para a diversão certa com pessoas queridas.

Não me deixem na mão!

Sejam como a água do mar que a cada recuo junta forças para uma nova investida.

Sim, a luta é grande, mas o CR é santareno e tapajoara de raiz!

Mãos à obra e um dia ainda daremos boas gargalhadas.

— * É advogado e economista santareno. Reside no Rio de Janeiro. E articulista do blog.   

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