
Que estamos vivendo tempos difíceis todos já sabem. Talvez os mais difíceis das últimas décadas sobre saúde pública. Um desafio pra cada um de nós. São duas grandes lutas.
Primeiro, contra uma doença extremamente infecciosa que se espalha pelo mundo. Segundo, contra as pessoas que negam essa doença e, assim, contribuem para que ela se espalhe mais rapidamente e se torne essa incômoda pandemia.
Normalmente, essas pessoas que negam a doença são aquelas que não se importam com os outros, já que não seguem as regras de usar máscaras, de higienizar-se e manter distância. Regras básicas para que o vírus não tenha a rápida circulação que vemos. Pessoas que se importam apenas consigo.
Além disso, na maioria das vezes – se não em todas – são pessoas que não foram infectadas, que não sentiram a infecção adquirida ou que ainda não tiveram parentes ou amigos bem próximos vitimados pela dita doença.
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Tal negacionismo está infectando as mentes de muitas pessoas tão rapidamente quanto o vírus SARS-CoV-2. Essa infecção contribui bastante para um mundo que se distancia do ideal para a sociedade em que estamos. E essas pessoas que negam também buscam nas suas ilusões o prazer de uma vida que não existe, sendo bastante malicioso para sua própria vida.
De acordo com a psicóloga Sônia Pittigliassi, mestre em Psicologia da Saúde, negacionismo é a escolha de negar a realidade como forma de escapar de uma verdade desconfortável. Talvez entre os dois inimigos, o mais difícil sejam as próprias pessoas.
Muitas delas são fanáticas, que adoram políticos e fazem tudo o que eles dizem, como se eles fossem os senhores do conhecimento universal. Se um político disser que determinado comprimido combate certa doença, mesmo que cientistas e médicos neguem, o povo acreditará naquele político, quem muitas vezes não sabe praticamente nada sobre a produção de um antibiótico.
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Mas as pessoas fanáticas não estão nem aí para a ciência. Eles são idólatras e prestam culto aos “santos” milagreiros da política, como afirma em um de seus artigos o advogado e colunista Sérgio Augusto Costa. O conhecimento científico parece que não tem mais nenhum valor para muitas pessoas.
Os milhares de anos de estudos e descobertas pelas pessoas mais importantes da história perdeu crédito de um dia para o outro.
É querer negar o médico grego Alcméon de Crotona, primeiro a dissecar o corpo humano no século 5 e a entender o estudo da anatomia; é querer negar o médico inglês William Harvey, primeiro a descrever corretamente no século 17 os detalhes da circulação sanguínea pelo corpo; é querer negar o químico Humphry Davy, descobridor do óxido nitroso, que serve como agente anestésico, no século 19; é querer negar o médico e biólogo Alexander Fleming, descobridor do primeiro antibiótico em 1928.
Diversas pandemias fizeram e ainda fazem parte da história da humanidade, como do cólera, que mata pessoas desde o início do século 19, ou mesmo da comentadíssima Gripe Espanhola, que matou em poucos anos dezenas de milhões de pessoas no começo do século 20.
Porém, apesar desses históricos, as pessoas, mesmo sem nada provarem, negam cegamente a existência da doença, ou mesmo fazem crítica de sua existência e realizam a propagação por meio de teorias conspiratórias.
Desde pequenos escutamos dos mais velhos que o pior de todos animais que precisamos lidar na vida é o próprio ser humano. Essa é um pensamento sempre correto. Haverá dias em que surgirá um banco vazio de alguém que nunca mais vimos, do telefonema de outro alguém que nunca mais receberemos e daquela companhia que gostávamos tanto de ter num passeio como em casa, todos ceifados pela doença. Mas esses atritos sempre existirão.
Sempre surgirão em qualquer momento os que duvidarão do óbvio e os que se importarão consigo sem dar devido valor para o próximo.
A Covid-19 continua ajudando a matar milhares de pessoas pelo mundo, como seus vírus altamente contagiosos, que vão se multiplicando nas células humanas, mas sempre fortalecidos por todos aqueles que não cooperam e ajudam a espalhar mais ainda a dita doença, esses seres humanos maliciosos, os vírus mais destrutivos em nossas vidas.
— * Silvan Cardoso é poeta, cronista e pedagogo. Escreve regularmente neste blog.
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