Jeso Carneiro

“A minha melhor foto é a próxima”: Eládio Pedrosa Jr. detalha sua transição de bancário a fotógrafo de povos indígenas

A minha melhor foto é a próxima: Eládio Pedrosa Jr. detalha sua transição de bancário a fotógrafo de povos indígenas
Eládio Pedrosa Jr. (à dir) em entrevista à TV JC. Foto: reprodução vídeo

O fotógrafo paraense Eládio Pedrosa Jr., ex-funcionário do Banco do Brasil, transformou um antigo passatempo em profissão e hoje atua registrando povos indígenas, esportes e o cotidiano da Amazônia.

Em entrevista ao programa TV JC, o artista — que nasceu em Belém, morou 16 anos em Santarém e atualmente reside em Altamira — compartilhou os bastidores do seu trabalho, explicou suas preferências técnicas e refletiu sobre a importância de treinar a atenção para além das telas de celulares.

Do hobby à profissão

A aproximação definitiva com as câmeras ocorreu após a aposentadoria no setor bancário. Com mais tempo livre, Eládio investiu em equipamentos e iniciou uma rotina diária de registros. O que começou como diversão evoluiu para o mercado profissional há cerca de 4 anos, cobrindo inicialmente eventos de motocross na região da Transamazônica.

Hoje, o foco central de sua produção são as pessoas.

“Hoje eu gosto muito de fotografar retrato. É o que eu mais gosto agora de fazer, principalmente indígenas”, afirmou. O interesse surgiu pelo impacto visual e colorido das comunidades locais. Embora sua grande paixão técnica seja a fotografia em preto e branco, ele destaca que o colorido é fundamental para respeitar e retratar fielmente a cultura indígena.

Imagens marcantes

Durante a conversa com Jeso Carneiro, Eládio revelou a história por trás de sua foto mais popular nas redes sociais: o retrato de uma criança indígena de olhos claros. A captura ocorreu na aldeia Itaakaaca, da etnia Asurini, acessível após quatro horas de viagem de barco saindo de Altamira.

Ele relatou que não houve ensaio ou pose; a imagem foi registrada à distância, de forma espontânea, enquanto a menina conversava com a mãe.

Apesar do sucesso de público dessa obra, a imagem favorita do próprio autor foi feita em Porto de Moz, durante uma viagem de balsa. A cena flagra um garoto, vestindo uma camisa do Super-Homem, empurrando um carrinho de carga.

“Por mais que eu tentasse, eu nunca ia conseguir montar uma cena dessa”, declarou, destacando a imprevisibilidade da rua. Mesmo com um portfólio extenso, o fotógrafo mantém a busca por inovação: “Sempre digo que a minha melhor foto é a próxima foto, uma que eu ainda não fiz”.

O olhar atento contra a distração digital

Outro tema abordado na entrevista foi como a prática fotográfica exige atenção constante ao mundo ao redor, servindo como um contraponto à dispersão provocada pelas redes sociais. Para Eládio, o uso excessivo dos smartphones afasta as pessoas dos detalhes da realidade.

“Normalmente a pessoa já está de cabeça baixa no celular, a grande maioria das vezes, e já não presta mais atenção em nada. Ela vê, mas não enxerga”, observou. O fotógrafo explicou que sua mente está sempre “enquadrando” cenários e observando estilos, mesmo nos dias em que sai de casa sem o equipamento fotográfico.

Estudo contínuo e referências

Para quem deseja iniciar na área, a recomendação do profissional é aliar a prática diária à teoria. Ele aconselha fotografar pelo menos uma vez ao dia, usar a internet para se atualizar sobre novas tecnologias de edição e acompanhar o trabalho de fotógrafos consagrados.

Como inspirações, citou nomes reconhecidos do setor, como Sebastião Salgado e Araquém Alcântara. “Com eles, você começa a abrir um pouco a sua mente para saber o que é legal e o que não é”, pontuou.

Assista na íntegra

A entrevista completa, com a exibição das imagens comentadas e todos os detalhes relatados por Eládio Pedrosa Jr., pode ser assistida no canal oficial do Portal JC no YouTube.

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