
A Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) de Santarém (PA) finalizou o relatório final do inquérito policial sobre a morte de Thainá Yarina dos Santos Cardoso. O delegado José Kleidson de Castro ratificou o indiciamento do advogado Wlandre Gomes Leal pelo crime de feminicídio.
Com a entrega do relatório conclusivo, a Justiça de Santarém determinou a abertura de vista ao Ministério Público do Pará para o oferecimento da denúncia, ou seja, a acusação formal que dá início ao processo criminal.
A investigação concluiu que a versão de suicídio sustentada pelo advogado é totalmente incompatível com o conjunto de provas materiais e periciais colhidas.
O laudo de necropsia, o exame detalhado da causa da morte feito no corpo da vítima, apontou que o golpe de faca atingiu o tórax da vítima com força de intensidade significativa, perfurando o pulmão direito e o coração.
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A perícia destacou a ausência de lesões de hesitação (pequenos cortes superficiais típicos de tentativas de autolesão), estabelecendo como causa do óbito uma anemia aguda (perda rápida e severa de sangue) provocada por intensa hemorragia interna.
Além disso, exames de perfil genético (análise de DNA) confirmaram a presença de material biológico de Wlandre no cabo da faca e de sangue da vítima projetado na parede do imóvel.
Depoimentos prestados por familiares e testemunhas revelaram um histórico contínuo de ciúmes, comportamento obsessivo e violência psicológica exercidos pelo advogado contra a companheira. Horas antes do crime, em mensagem enviada por aplicativo às 16h14, Thainá desabafou a uma pessoa próxima que não iria a lugar nenhum com Wlandre.
Relembre o caso
A conclusão das investigações policiais ocorre após uma série de decisões marcantes no processo criminal. Em decisão recente, a Justiça converteu a prisão temporária do advogado em prisão preventiva, isto é, detenção por tempo indeterminado para garantir a ordem pública.
O advogado encontra-se custodiado na Unidade de Custódia e Reinserção (UCR) Santa Izabel III, na Região Metropolitana de Belém.
A transferência da comarca de origem foi determinada por motivos de segurança e pela inexistência de Sala de Estado-Maior (ambiente especial de detenção sem grades para advogados antes de condenação definitiva) no sistema prisional de Santarém.
A sucessão de fatos teve início na noite de 19 de julho de 2026, quando o advogado foi preso em flagrante suspeito de feminicídio em Santarém no apartamento do casal, localizado no bairro Rodagem.
Naquela ocasião, o suspeito acionou o socorro médico afirmando que a mulher havia se esfaqueado. Contudo, a tese foi contestada de imediato após os primeiros levantamentos periciais, quando o delegado do caso descartou o suicídio e a polícia evidenciou que a faca apreendida com lâmina de 2,5 cm era incompatível com o ferimento de 10 cm no peito da vítima.
Pouco depois da autuação, a Justiça decretou a prisão inicial de 30 dias para resguardar as investigações.
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