Jeso Carneiro

Médicos do HRBA ameaçam paralisação por falta de insumos e cobranças injustas; hospital pode ficar sem atendimento

Médicos do HRBA ameaçam paralisação por falta de  e cobranças injustas; hospital pode ficar sem atendimento
HRBA, com sede em Santarém: qualidade no atendimento comprometida. Foto: arquivo JC

Médicos do Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA), em Santarém (PA), gerido pelo Instituto Social Mais Saúde (ISMS), devem divulgar hoje (15) uma carta aberta expressando profundo descontentamento com as condições de trabalho, “glosas contratuais indevidas” (descontos e penalidades) e a falta de diálogo com a gestão da OSS (Organização Social de Saúde).

O JC obteve uma cópia do documento. Nele, os médicos listam uma série de problemas que, segundo os profissionais, comprometem a qualidade do atendimento e a valorização dos serviços prestados pelo HRBA.

Confira as principais reivindicações e denúncias:

Contexto institucional

O HRBA, gerido pelo ISMS desde uma controversa seleção em 2023 (anulada pela Justiça por falta de transparência e republicada posteriormente), é referência em alta complexidade no Pará.

A atual gestora do hospital, contudo, tem sido alvo de críticas, incluindo um processo do Ministério Público por filas de espera em cirurgias cardíacas.

No documento, o corpo clínico exige:

Caso as demandas não sejam atendidas em 7 dias, os médicos ameaçam suspender serviços não emergenciais e acionar órgãos como o Ministério Público e conselhos profissionais.

A carta encerra reafirmando a disposição para o diálogo, mas ressalta que “a inação da gestão” poderá levar a medidas mais drásticas, com impactos diretos na assistência à população.

Falta de insumos

Ainda segundo os médicos, a falta de insumos para procedimentos cirúrgicos é uma constante no HRBA. Um exemplo citado é a ausência de agulhas para mielograma (exame essencial para diagnóstico de doenças da medula óssea), o que inviabilizou procedimentos mesmo com médico e paciente presentes.

A carta menciona que a falta de insumos paralisou temporariamente cirurgias cardíacas, e quando tentaram reagendar, os médicos foram penalizados com glosas por “repetição de procedimento”.

Contraponto

Nota da OSS Mais Saúde sobre o caso:

O Instituto Mais Saúde esclarece que, até o momento, não recebeu qualquer manifestação formal assinada por médicos, razão pela qual não pode comentar as questões levantadas na reportagem.

O serviço médico na unidade é realizado por aproximadamente 50 empresas especializadas, formadas por mais de 200 profissionais regularmente cadastrados no corpo clínico, compondo uma relação de proximidade e transparência em conformidade com as normas vigentes e os contratos firmados.

O Instituto reafirma que seu compromisso com uma gestão eficiente e de qualidade, reconhecendo a experiência e dedicação do corpo clínico aos pacientes e mantem-se aberto ao diálogo com todos os parceiros, especialmente os médicos.

**** Atualização: Essa matéria foi atualizada às 18h, para inclusão do contraponto do Instituto Mais Saúde.

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