
por José Baldino Vasconcelos (*)
Ai de vós, políticos da Câmara e do Senado. Cínicos. Covardes. Hipócritas. Sepulcros caiados. Serpentes! Raça de víboras! Indecentes. Insensatos. Estas palavras estão registradas nas Sagradas Escrituras no Evangelho de Mateus, capítulo 23.
São palavras devastadoras, duríssimas, pronunciadas pelo Nazareno, em sua santa ira e indignação, contra uma quadrilha do Templo e guardiã dos bons costumes que desprezava o povo empobrecido, o órfão, a viúva, o coxo, o aleijado, o leproso, as crianças, o idoso.
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Ai de vós, políticos, que tem medo de perder as mordomias, o foro privilegiado, o salário aviltante, a verba para transporte, o apartamento funcional, o carro do ano e motorista particular, cartão corporativo, aposentadoria aviltante, e tantas e tantas outras benesses.
Ai de vós, políticos, que na calada da noite conspiram contra a Pátria.
Ai de vós, políticos, guias cegos e insensatos. Serão julgados com maior rigor por desprezares os preceitos mais importantes das leis: a justiça, a ética, a misericórdia. Pareceis justo aos olhos dos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e de iniquidade.
Ai de vós, políticos, que pensam o povo como um simples detalhe.
Ai de vós, políticos, que nos discursos da tribuna enaltecem a democracia com proselitismos e demagogia.
Ai de vós, políticos, que pensam que são espertos e se esquecem que o mundo não é dos espertos. É das pessoas honestas e verdadeiras. A esperteza de vocês está escancarada e virando vergonha.
Ai de vós, políticos, que não permitem que a honestidade se transforme em exemplo para as próximas gerações de brasileiros.
Ai de vós, políticos, que se apresentam com um sorriso nos lábios, veneno na língua e maldade no coração.
Ai de vós, políticos, sem decência – uma das maiores virtudes humanas.
Ai de vós, políticos, que na/da tribuna vociferam entre si elogios nada dignificantes.
Ai de vós, políticos, que esquecem as palavras plenas de ternura, de amorosidade, de respeito, de carinho, de generosidade e apreço pelo povo. Aliás, essa palavra – povo – é a que é mais utilizada em seus pronunciamentos.
Há quem afirme que há os bons e maus políticos. Dos maus sabemos do que são capazes. As honrosas exceções usufruem das regalias. Bons e maus políticos sempre legislam em causa própria.
Ontem, à noite, tivemos um exemplo claro do que – os bons e maus políticos – são capazes.
Finalizando, minhas condolências ao time da Chapecoense e seus familiares.
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