
A absurda decisão da TV Tapajós em cancelar o debate com os candidatos a prefeito de Santarém (PA), feita em comunicado aos partidos neste dia 9 de outubro, revela o quanto pode ser perniciosa a interferência das redes de comunicação nos pleitos eleitorais.
Usar como pretexto a pandemia para negar à população santarena o debate mais importante de toda a campanha política, quando é possível ao eleitor conhecer a diversidade de propostas e o confronto de ideias essencial a democracia, é de uma intervenção que salta aos olhos.
Os debates vem sendo realizados nos quatro cantos do país. Norteados por medidas de segurança como ausência de público, limite de dois assessores e a redução no número de candidatos, ao máximo de cinco, definido pelos melhores posicionados nas pesquisas. E, em alguns casos, estão sendo deslocados para lugares com maior espaço e ventilação.
A pandemia não pode desferir esse golpe na democracia. A quem interessa a não realização desse debate? O que está por trás de decisão tão antidemocrática? Por que essa tentativa de polarizar o pleito eleitoral a apenas duas candidaturas? Por que alijar os demais candidatos do processo eleitoral?
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A quem a TV Tapajós quer favorecer? Seria a Nélio Aguiar que não quer ser confrontado para explicar por que fez uma administração desastrosa e mente na propaganda eleitoral mostrando uma Santarém que só existe nas manipulações de marqueteiros e na mente de Nélio Aguiar?
Seria a Maria do Carmo, querendo ser vista como a única alternativa para a administração desastrosa de Nélio Aguiar e não querendo explicar que a nova Maria esta abraçada ao PP, um dos partidos que engendrou o golpe em Dilma Roussef, que é símbolo do Centrão e que sistematicamente atua na desmoralização e destruição do PT?
Os partidos políticos com candidaturas majoritárias devem urgentemente protestar junto aos órgãos competentes, denunciando essa forma açodada de interferência no processo eleitoral, assim como manifestar esse protesto à presidência do Sistema Tapajós de Comunicação.
Se o espaço de entrevistas da TV Tapajós é inadequado, que se desloque o debate para outros espaços, como a Casa da Cultura ou casas de eventos. Se são custos, que o TRE e partidos equacionem o problema.
O que não pode é deixar o eleitor sem esse importante confronto de idéias, oportunidade única para que os candidatos exponham suas propostas à população e sejam confrontados os seus planos de governo, assim, o eleitor, pode democraticamente, melhor definir o seu voto.
A decisão da TV Tapajós nos revela as sutilezas de uma intervenção no processo eleitoral e é de um cinismo vergonhoso. Precisa, a bem da democracia, ser revertida.
— * Paulo Cidmil é diretor de Produção Artística e ativista cultural. É filiado ao PSOL.
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