A esperança se chama Maria. Por Paulo Cidmil
Maria do Carmo, pré-candidata a prefeita de Santarém pelo PT. Foto: Divulgação

Atento ao início das discussões sobre as eleições municipais, observo algumas postagens que se referem à implantação da sojicultura como um fator definidor do recente desenvolvimento econômico de Santarém. Comentários motivados por uma faixa de protesto fixada na Igreja do Santíssimo e que produziu reações raivosas desprovidas de argumentos convincentes que justifiquem esse pretenso avanço econômico. O que resume essas manifestações em declarações falaciosas como a que li abaixo.

Afirma que “o agronegócio incrementou o comercio de automóveis, caminhões, autopeças, veículos agrícolas, gerou milhares de empregos, aqueceu a venda de imóveis, lanchas, jet sky, alavancou o turismo e a noite santarena”.

Paulo Cidmil *

Esses argumentos, repletos de inverdades, surgem porque estão ocorrendo manifestações críticas, à presença da sojicultura no Planalto Santareno. Resolvi pontuar algumas questões e definir posição quanto ao voto à prefeito(a) do município.

O agronegócio contribuiu para encarecer o metro quadrado da terra na área urbana e rural (Planalto), dificultando o acesso à terra aos de menores renda e aumentando a concentração da terra na mão de poucos.

A Cargill só gera 60 empregos diretos. Todos os insumos agrícolas, 80% produzidos com matéria prima importada, vem de fora da região, como é o caso do  adubo. Todas as máquinas agrícolas de maior sofisticação, motorizadas e computadorizadas são adquiridas em outros centros.

 

Carrões, lanchas e jet skys, 80% deles são adquiridos em outros centros.

Em termos tributários, a produção e exportação da soja via porto de Santarém deixa valores irrisórios (se comparado ao volume exportado) ao Estado e Município, devido a Lei Kandir.

Vejamos os problemas trazidos pela soja.

Promoveu a retirada dos colonos do Planalto com forte especulação sobre a terra, o que reduziu em mais de 70% a produção de alimentos nessa região.

Produtos como laranja, tangerina, lima, abacate, mamão, macaxeira, cará, jerimum, farinha, mel de abelha, feijões, milho, arroz e outros grãos, suínos e aves, hortaliças, legumes, alimentos antes básicos na dieta de nossa população, escassearam e encareceram.

Hoje importamos a maioria desses produtos de outras regiões, quando éramos produtores de excedente, exportados principalmente para o Amazonas.

O êxodo rural, promovido com o auxilio governamental da administração Lira Maia, que tinha interesse direto no repasse das terras dos colonos ao agronegócio (aqui caberia um artigo específico só para tratar da maior especulação sobre a terra, exercida por intermediários, que a região já conheceu). Trouxe 65% desses produtores rurais para as periferias de Santarém.

Iniciou-se um processo organizado de invasões urbanas nas áreas periféricas, imediatamente legitimadas pelo poder municipal, que viabiliza acessos, iluminação e posterior reconhecimento, mas sem a infraestrutura mínima, como água, transporte e logradouros públicos, posto de saúde, escola, creches, coroando a obra com a total ausência de um projeto urbanístico.

 

Aqui  inicia-se a favelização de nossas periferias e traz, como uma das consequências,  a violência urbana que ao longo dos anos vem se intensificando. Essa é uma das obras do homem que vende  sonho e entrega pesadelo, promete progresso e entrega pauperização à população, o arauto da soja Lira Maia.

Outra falácia é atribuir ao agronegócio o desenvolvimento do comércio. Santarém sempre teve no dinamismo do comércio o motor de seu desenvolvimento. A atividade comercial direta e indiretamente relacionado a produção graneleira não responde por 15% de toda a economia local.

Isso sem dimensionar o comércio informal que ocorre sem tributação e que se estima girar em mais de 50% dos valores declarados à tributação.

Esse fato torna o comércio que provem do agronegócio ainda  mais modesto. Também é bom lembrar que já existiam comércios relacionados a agricultura e pecuária antes da chegada da atividade graneleira.

Santarém, hoje com 300 mil habitantes, sempre foi um entreposto comercial, cujo comércio atende cerca de 15 municípios. Isso se intensificou nos últimos 35 anos.

Após a introdução da soja, pesquisas apontam uma incidência alarmante de casos de câncer no Planalto, contrastando com outras regiões como a Calha Norte, a várzea e o centro urbano.

Isso trouxe conseqüências para o sistema público de saúde, onerando o orçamento da saúde no Estado e Município, contas pagos pela população.

Há também indícios de contaminação dos lençóis subterrâneos e de igarapés. 

É fato comprovado que os pesticidas, base dos insumos agrícolas, provocam câncer especialmente se usados sem rígido controle. Também é fato comprovado que não há um controle sanitário eficiente promovido pelo Estado e Municípios capaz de inibir e controlar o mal uso de pesticidas na região.

A maioria das agressões aos posicionamentos críticos à presença da sojicultura no Planalto são dirigidas aos “petralhas”. Sem ser petista e nem advogado do PT, até porque esse não é um assunto de interesse exclusivo do PT ou de qualquer outro partido político, mas de toda a sociedade e dos três municípios envolvidos, Santarém, Mojuí e Belterra, gostaria de perguntar onde foi que os propagadores desse pretenso desenvolvimento identificaram tamanha prosperidade?

Os números do agronegócio são pífios e negativos, quando analisamos o custo benefício advindos dele.  É bom para os médios e grandes sojicultores (aos pequenos sobra o câncer) e péssimo para Santarém e sua população, que hoje paga mais caro para comer, vê o sonho do imóvel próprio cada vez mais distante. O custo de vida e o valor dos imóveis foram para estratosfera. Além de sofrer com as consequências da violência urbana.

A sojicultura extensiva é uma atividade altamente concentradora de renda e gera poucos empregos. Tem sido bastante negativo os reflexos dessa atividade agrícola de exportação, tanto para os cofres do município quanto para sua população.

Não podemos confundir Santarém com cidades como Sinop, Nova Mutum, Sorriso e outros municípios do Mato Grosso. Ali o agronegócio é o motor propulsor e toda a economia gira em torno da atividade graneleira, especialmente o comércio.

Mato Grosso é onde os agricultores instalados aqui vão comprar seus equipamentos, carrões e lanchas. Até porque a quase totalidade do comércio nesses municípios graneleiros também pertence aos sojicultores.

Ao longo do texto me refiro ao governo Lira Maia porque foi ele que nos trouxe esse cavalo de tróia. Que se não beneficiou a maioria de nossa população, a Lira Maia possibilitou muitos benefícios, desde o período em que intermediários começam a compra de terras aos colonos e a subseqüente venda dessas terras aos sojicultores vindos do Mato Grosso.

É também Lira Maia o principal ator no período das eleições municipais, tendo ungido dois políticos medianos e sem projetos para o futuro do município, à condição de prefeitos. E claro recebendo os seus nacos da administração municipal e permanecendo eminência parda no governo.

Há 8 anos Lira Maia governa de forma indireta o município de Santarém. E deve apresentar o mesmo ou um novo executor de ordens.

Diante do quadro político, quando se apresentam quase uma dezena de candidatos, a maioria traz consigo um certo grau de aventura e risco.

Algumas dessas candidaturas vejo como blefe.

Seria salutar para o processo político que o MDB apresentasse um candidato para sabermos se eles tem algo a oferecer, além de clientelismo, fisiologismo e interesses que passam aquém do interesse público.

O PSOL, partido que escolhi, e ao qual me filiei, terá uma dificuldade sobre humana para sustentar a campanha do amigo Mike Vieira. Não sei qual será a decisão final a ser tomada por nossa legenda, mas desde já estou engajado na campanha de vereadores do partido.

No bolsonarismo, com 3 candidaturas reivindicando o  carimbo oficial do atraso e da incivilidade, uma deve prosperar.

Teremos uma eleição, como a anterior, que será pautada por notícias falsas e caluniosas

Vejo como positiva a candidatura de Valdir Matias, por pertencer a uma boa legenda, ser jovem, e, sobretudo, um quadro político qualificado com significativa participação no legislativo e executivo, bom trânsito político e experiência em gestão. Mas precisa ajustar  sua postura política ao perfil da legenda, onde prevalece o ativismo e acentuada atuação nas questões ambientais.

Se o quadro não fosse tão grave e essas eleições não fossem tão importantes para o que ocorrerá em 2022, eu poderia estar fazendo pressão no meu partido para sustentarmos uma candidatura própria, mas me abstenho dessa posição por avaliar que essa eleição é uma excelente oportunidade para que partidos e políticos mais progressistas convirjam para uma frente democrática e anti-autoritarismo que hoje é uma ameaça. É nisso que eu aposto como alternativa.

Teremos uma eleição, como a anterior, que será pautada por notícias falsas e caluniosas, e com três ou quatro candidaturas capazes de se conectar ao eleitor. Mas vou me deter em apenas três.

A do continuísmo representada por Nélio Aguiar, que conta com o apoio do governador e as máquinas do Estado e Município. Deve ter Lira Maia como seu cabo eleitoral, para continuar a ser seu executor de ordens.

Nélio fez um governo desastroso por 3 anos. Foi rejeitado por ampla maioria da população. Nesse seu último ano, ganhou dois reforços que lhe deram algum protagonismo: as obras do Estado ou com o apoio do Estado, como o asfaltamento de ruas e inaugurações meia boca. 

A pandemia que o colocou em uma zona de conforto com visibilidade  quase diária nos meios de comunicação, para falar de um assunto do qual tem maior domínio por ser médico, a Saúde. Chegou a posar de controlador de remédios, na farmácia gerida pelo município, no combate a pandemia.

Mas mesmo aqui, o desempenho do município tem resultados alarmantes. Roraima é o estado com maior numero de mortes por 100 mil habitantes, exatos 100 óbitos. O Pará aparece em 11º com 73 óbitos e o Amazonas em 5º com 93.

Contrastando com os estados vizinhos, Santarém ostenta a marca de 129 óbitos por 100 mil habitantes. Entre os mais de 5 mil municípios do país estamos em um vergonhoso 6º  lugar, atrás apenas das cidades de Fortaleza, Sobral, Belém, Recife e Rio de Janeiro.  Outro fator que me leva a rejeitar Nélio é que desde 2018 tem apoiado Bolsonaro.

A candidatura bolsonarista, que deve inundar a campanha com notícias, falsas, mentirosas e caluniosas, irá verbalizar o seu moralismo cínico, professado por amorais e reacionários que atentam contra qualquer possibilidade de uma sociedade justa e fraterna.

Representam a cidadania fatiada, que pretende perpetuar uma sociedade de desiguais. E onde devem se aglutinar a banda podre do agronegócio (a outra não é boa mas tem verniz de correta), os exploradores de garimpo e de garimpeiros, os grileiros de terra e madeireiros ilegais e os que estão aprisionados nas redes de mentiras e falácias implantadas por Bolsonaro.

Nos resta a candidatura de Maria do Carmo Martins, hoje despontando à frente em todas as pesquisas. Política que em Santarém é bem maior que sua legenda, tem testada sua capacidade, ao governar o município por dois mandatos, com aprovação.

Assume compromissos com a democracia, com as políticas de igualdade e inserção social, com a educação, com a cultura; estimula o esporte como indutor de inclusão social e saúde e pode vir a ser uma trincheira de combate e resistência ao retrocesso político e ao autoritarismo que paira ameaçador sobre nossas cabeças, incorporado em Bolsonaro.

 

Em meio a tudo isso, tenho ressalvas a postura do Partido dos Trabalhadores, que tanto fala em gestão participativa, mas ao que parece prefere compartilhar gestão com MDB, PR, PP, PSD, partidos fisiológicos e conservadores, do que construir uma frente popular, com gestão compartilhada, ao lado de partidos mais identificados com uma agenda progressista como PDT, PCdoB, PSOL, PV e REDE.

Como disse Machado de Assis , em um de seus contos “a esperança é o pecúlio do pobre” o que seria à época uma espécie de poupança. Maria do Carmo é a nossa esperança de mudança, senão a que almejamos, mas a que é possível no momento em que forças tão reacionárias e retrógradas nos ameaçam a conviver com a degradação ambiental, o autoritarismo, o marasmo e a falta de horizontes inovadores e transformadores da realidade.


— * Paulo Cidmil, santareno, é diretor de Produção Artística e ativista cultural. Escreve regularmente neste blog.

LEIA também de Paulo Cidmil: A união que se faz necessária no país ante o fascismo.

Nota do editor: textos, fotos, vídeos, tabelas e outros materiais publicados no espaço "comentários" não refletem necessariamente o pensamento do Site Jeso Carneiro, sendo de total responsabilidade do(s) autor(es) as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.

14 Comentários em: A esperança se chama Maria. Por Paulo Cidmil

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  • Joventino Cruz Divino disse:

    Foram 8 anos de PT e CONFERÊNCIA DE MEIO AMBIENTE PRA DISCUTIR: e não fizeram plano de meio ambiente, o lixão do perema degradando o meio ambiente e mananciais de aguas e nascentes, soja ampliou e agronegócio se consolidou, construiram feira do tablado de peixe em frente mercadao 2000 sobre as aguas do Tapajós, E sem plano diretor.

  • Valdemar Orionte disse:

    Sou morador de belterra e durante 8 anos do governo do PT do geraldo pastana a soja se intalou aqui e agronegocio dominou com apoio total do PT. Sr cidmil precisa refrescar memoria e ler a historia da regiao

    1. Paulo Cidmil disse:

      de fato desconheço a situação de Belterra, me detive a situação de Santarém mesmo sabendo que o problema é comum aos três municípios. o PT não é o melhor dos mundos e Maria do Carmo não é Pastana. Ela teve muitos erros, especialmente no âmbito ambiental, seu foco foi a política social. Em comparação com o que temos na política local, em muitos aspectos ela é um avanço.

  • Alberto Silva disse:

    *recarga do lago do “Juá”

  • Alberto Silva disse:

    Sr. Isonilson Arruda, se ler com um pouco mais de calma minha opinião, vai perceber que eu não disse que a Maria vai resolver ou que resolveu os nossos problemas ambientais…acho até que a área da BURITI é uma sagrada área de RECARGA do lago do Maicá e que deveria ser preservada, cabe ao PT fazer essa “mea culpa” e compensar de alguma forma, assim como também precisa refletir sobre outras atitudes erradas por parte de alguns.
    Dito isto, vou deixar mais clara minha posição. A possibilidade de ter de volta as CONFERÊNCIAS DE MEIO AMBIENTE por si só já dá um alento pois permitiria que tanto a comunidade acadêmica quanto as comunidades afetadas pudessem ser ouvidas, como no caso do porto do Maicá que não foi aprovado na conferência final da revisão do Plano Diretor, antes o contrário foi amplamente recusada, porém ignorada seguiu para a câmara. Quanto ao igarapé do Irurá, esse está sendo assoreado devido ao asfaltamento (impermeabilização do solo) de algumas ruas próximas e que passaram a levar áreia e lixo para o leito.
    Para finalizar acho que uma vez que a prefeitura passe a ser oculpada pela Maria, teremos novamente a chance de DISCUTIR juntos o futuro da cidade, aliás estamos no término do Plano Estadual de Recursos Hídricos e eu não vejo a prefeitura se posicionar e muito menos mobolizar a população para essa agenda que vai mudar e muito nosso modo de vida.
    DEMOCRACIA E RESPEITO já são um bom começo.

  • Hildo parteira disse:

    O governo de 8 anos petista de maria do carmo fez o que pra conter o agronegocio e a soja??? O que???que esperança devo ter??nem zoneamento econômico-ecologico fez. Mas governo da maria fez aquela praça em parceria com a cargill lá na vera paz com vistas de apreciar o porto da cargil embarcar soja. A placa de inauguraçao esta lá pra comprovar obra do governo do PT com apoio da cargill. Que esperança é essa?

  • Ozzy disse:

    Ainda há tempo de remover esse monstrengo de frente da cidade para outro local, é muito poder para um homem só decidir sobre destruir uma cidade, assim com fizeram com aquele trapiche no Maracanã, quero ver se tem coragem de colocar uma placa de inauguração com o nome dos “crânios” autores da burrice.

  • Isonilson arruda disse:

    Sr alberto silva o governo da maria nunca resolveu a degradaçao ambiental do igarapé do irurá, nem os lago papucu e Mapiri. Nada foi feito. Diga aqui o que o governo do PT fez???E foi no governo da Maria que a buriti se instalou nos arredores do Lago Juá. Com autorização da prefeitura petista

  • Edinaldo Melo disse:

    O que poderia se esperar de alguem do psol? o óbvio apoiar alguem do seu ramo o PT que e um “excelente” administrador de acordo com os 16 ultimos anos onde nosso Brasil foi assaltado pelos seus “administradores”. Alegar que nosso presidente vive de mentiras e querer tapar o sol com peneira, não esqueca que vivemos hoje a epoca da informacao e politicos mentirosos tem pernas curtas.

    1. Mario disse:

      Vivemos no obscurantismo da desinformação, das mentiras, das fakenews.

    2. Antônio Silva disse:

      Realmente, é injusto dizer que o presidente vive SÓ de mentiras. Afinal, ele também sempre viveu de corrupção, constituindo-se no mais importante produtor de laranjas d fantasmas do país.. Ele e sua familícia..

  • Alberto Silva disse:

    Seria injusto comentar esse texto sem no mínimo parabenizar pelo poder de síntese e logo depois concordar imensamente com o conteúdo, a alguns dias atrás fiz esse mesmo comentário sobre a importância pífia do agronegócio para Santarém. Nosso bioma não suporta esse tipo de exploração, a biodiversidade experimenta um caos sem precedentes e com consequências imprevisíveis. Cursos d’água estão sumindo a olhos vistos e as autoridades fazem de conta que nem percebem a exemplo o igarapé do Irurá, a fauna do ambiente dos lagos do papucu e mapiri sofre e morre ao redor da avenida Fernando Guillhon, ofídios, mamíferos, pássaros, insetos polinizadores e a flora estão com os dias contados.
    A candidatura da Maria lança sobre esse caos um fio de esperança, pois quando os espaços de debate retornarem podermos “minimamente” ouvir o eco das voses dos santarenos sem o risco de sermos TRAÍDOS como no caso da revisão do Plano Diretor que no meu entendimento deve ser resgatado.
    Parabéns e obrigado por nos mostrar que na verdade somos muitos pensando assim.

  • Edmar Rosas disse:

    Concordo com 90%. Ainda assim foi o melhor artigo que li nos últimos 3 dias, Sobre Santarém foi o melhor, até onde lembro. Parabéns. Jeso, continue publicando.

    1. Jeso Carneiro disse:

      Parabéns ao Cidmil. Análise histórico-econômica irrepreensível.