Jeso Carneiro

Governador decide nesta 4ª se implanta ‘lockdown’ em diversas cidades do Pará

Governador decide nesta 4ª se implanta 'lockdown' em diversas cidades do Pará
Helder Barbalho: preocupado com os mais de 4 mil casos de covid-19 no Pará

O governador Helder Barbalho (MDB) decidirá amanhã (6) se adotará ou não no Pará o lockdown, que significa bloqueio total em inglês, e é a adoção de medidas mais severa em uma pandemia. 

A informação foi dada ao jornal Folha de S. Paulo, edição desta terça-feira.

 

Boletim epidemiológico divulgado às 19h de ontem pela Sespa, a Secretaria de Saúde do Pará, apontava 4.262 casos confirmados de covid-19 no estado, dos quais 2.242 casos recuperados, 344 óbitos e 399 casos em análise.

“O caminho, não havendo mudança significativa, é que algumas cidades do estado possam ter um patamar de restrições bem mais elevado”, disse o governador ao jornal paulista.

Leia abaixo a íntegra da entrevista do governador paraense.

Com a adesão ao isolamento social em queda e o número de casos de Covid-19 em alta, o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), decide na quarta (6) se adotará medidas mais restritivas em algumas cidades do estado.

“O caminho, não havendo mudança significativa, é que algumas cidades do estado possam ter um patamar de restrições bem mais elevado”, afirmou à Folha.

Com as UTIs de Belém quase lotadas, o Pará acumula 4.262 infectados e 344 mortos até esta segunda-feira (4). Os recuperados somam 2.199 pacientes, incluindo o próprio governador, que completa 41 anos neste mês.

Helder analisa a situação do novo coronavírus no Pará, critica o presidente Jair Bolsonaro e conta como ter atravessado a doença.

Em sete dias, o número de registros quadruplicou no Pará. A que o sr. atribui esse salto?

O avanço da epidemia demonstra o que a gente vem dizendo há muito tempo sobre a necessidade de
que as pessoas possam estar em isolamento social. Nós temos aqui não apenas um problema grave de Covid-19. Nós temos a H1N1, compondo um cenário muito preocupante de síndrome aguda respiratória.

Agora, houve esse avanço no momento em que a nossa taxa de isolamento varia entre 45% e 50%, apesar de, desde o dia 16 de março, termos feito as medidas de restrição de circulação e restrição de diversas atividades. Neste momento, estamos apelando à população que possa ampliar essa taxa de isolamento para que a pressão sobre o sistema de saúde diminua.

O sr. está avaliando anunciar um “lockdown”?

Estamos avaliando os dias de hoje [segunda] e amanhã para que possamos tomar a decisão na quarta.

Fiz um último apelo para a população na sexta-feira. Ontem e hoje houve um aumento de isolamento no estado, foi para 57,6%. Foi o número mais positivo ao longo de toda a linha histórica, mas ontem foi domingo, o que aumenta o isolamento. Mas o caminho, não havendo mudança significativa, é que algumas cidades do estado possam ter um patamar de restrições bem mais elevado.

Como funcionaria o “lockdown”?

Já identificamos todas as atividades essenciais. A intenção é que possamos preservar exclusivamente as atividades essenciais. As atividades econômicas que possam gerar aglomeração nesses municípios terão também de sofrer restrição. A atividade da indústria e do agro estão em cidades fora desse rol.

Estamos avaliando inclusive as medidas que envolvem transporte coletivo e estratégias de trânsito, para que haja o cumprimento efetivo.

O Pará recebeu nesta madrugada equipamentos vindos da China, comprados pelo governo estadual. O Ministério da Saúde está demorando para enviar ajuda aos estados?

Estamos solicitando ajuda do Ministério da Saúde desde o início desta pandemia. Até o momento, tivemos 60 respiradores doados pelo ministério.

Importamos 400 respiradores, pelo governo do estado, dos quais 152 chegaram nesta madrugada. Estamos aguardando os outros chegarem nos próximos dias.

A chegada desses respiradores é fundamental para ampliar a oferta de leitos de UTI neste momento de tanto sofrimento. Antes, tínhamos 640 UTIs públicas da rede estadual. Só agora, estamos incrementando mais de 400 leitos.

Houve a troca de ministro, mas continua a divergência entre o presidente e o ministério sobre o distanciamento social. Nos estados, qual é o impacto do sinal trocado que o governo emite?

Quando aqueles que ainda não se convenceram da necessidade do isolamento recebem a mensagem desse caminho de líderes, isso acaba sendo uma boia de salvação para reforçar a tese. E só traz dificuldades para que nós possamos ter a efetividade dessa estratégia que evita uma disseminação viral em massa.

 

Desenha-se o pior cenário, que é o de todos ficarem doentes ao mesmo tempo e terem de procurar o sistema público e privado de saúde. Toda a estratégia mostra que temos de a necessidade de espaçar essa procura, com a consolidação de um platô, e não de um pico.

É fundamental que nós possamos agir com todos os esforços para que a população possa compreender que a única medida efetiva de prevenção neste momento é o isolamento social.

O sr. se recuperou da Covid-19. Como foi a experiência de contrair a doença?  

Primeiro, o susto, a incerteza. Fiz o acompanhamento por meio de oximetria e tomografia para que pudesse acompanhar o avanço. Houve a identificação de uma pneumonia, o comprometimento pulmonar de 20%.

Fui medicado com azitromicina, o que permitiu que não houvesse o avanço, no decorrer do processo. Pós-quarentena, fiz uma última tomografia, que demonstrou o regresso significativo dos comprometimentos frutos da Covid.

Com a alta, o sr. se considera imunizado?  

Eu tenho tomado as precauções, usado máscara, até porque não há uma comprovação de que as pessoas estão imunizadas. Enquanto não houver essa definição da ciência, vamos aguardar e tomar as precauções necessárias para este momento.

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