Jeso Carneiro

Poetas amazônicos

Insanidade

Meus Eus não cabem em si
Não cabem em mim
Meus Eus já não são meus
São Eus estilhaçados
De um Eu despedaçado
Que ainda restou em mim…

Na insana idade
Em que me encontro
A cidade é o desencontro
Do meu Eu alienado
Com meu Eu engajado
Meu Eu desconcertado
Se debate com meu Eu
Tão concentrado…

Eu e meu Eu jogamos
Um xadrez alucinado
Onde peões manipulados
Tentam vencer o meu reinado
Como se meu Eu, ensimesmado,
Fosse um Eu atarantado
Pelo poder não conquistado…

Na insana idade
Em que me encontro
Já não sei se meu Eu
É meu deus
Meu adeus…

Já não sei se sou castelo
Se sou cavalo
Se sou rainha
Ou se sou rei
Só sei que meu Eu
Está além do além
Do além do meu além…

Eus meus:
amem o amém,
quae sera tamen!

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* De Jota Ninos, poeta amazônico nascido no Pará (Belém).

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