Hora da Prece
Poetas, meu Deus,
No instante em que os levas
Reduzes a trevas
Intenso clarão!
Cantando os Teus astros
Se vivem os vates
Por que os abate,
Os matas, então?
A Lua lagrima…
Seu pranto orvalhado
Faz úmido o prado,
E diz ela assim:
“Dos lindos poemas
Eu sou testemunha
Que o Bardo compunha,
Olhando pra mim.”
A bela Cidade
Que tanto ele amava
E em versos cantava
De raro primor
À beira do esquife
Detém-se, rezando,
A atira, chorando,
Lá dentro uma flor!…
Saudade… Tristeza…
Nos olhos da gente
A lágrima ardente
Desponta, indiscreta…
A estrela se apaga…
A rosa fenece…
A hora é de prece:
Morreu o Poeta!
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