Jeso Carneiro

Poetas amazônicos – Deságua em mim

Deságua em mim

Ao meu rio Tapajós…numa tarde de contemplação…

Eu me inundo com o teu cheiro
Com tua vida
Eu me inundo e me lambuzo com teu paladar
Não dá pra ficar sem ti
Deságua em mim

Há quem diga e estuda teu jeito de ser
De nos embriagar
Diz lá que tuas águas correm pros braços dos filhos
Das mulheres que lavam, que cantam e encantam
Dos homens dos braços fortes, dos laços e nós
Dos remos, do remanso
Dos mansos que deitam em ti
Deságua em mim

Tapa as feridas, Tapa nós…Tupaius…Tapajós…
Tuas curvas, tuas cores, tuas dores
Deságua em mim

Diz uma voz de quem mora em ti
Que tu tens a cura,
Mandinga pura de quem vive de ti

Não tem como fugir
Dos teus laços, do teu abraço, que encontra e
Deságua em mim

Alimenta teu povo,
Que nasce, cresce e morre em ti
Acalma a gente
Enfurece nas noites quentes
E adormece profundo

Tapa as feridas, Tapa nós…Tupaius…Tapajós…
Tuas curvas, tuas cores, tuas dores
Deságua em mim

– – – – – – – – – – – – — – – – – – – – – – – – – – – –

* De Leíria Rodrigues, professora e jornalista amazônica nascida em Santarém do Tapajós.

 

Sair da versão mobile