Deságua em mim
Ao meu rio Tapajós…numa tarde de contemplação…
Eu me inundo com o teu cheiro
Com tua vida
Eu me inundo e me lambuzo com teu paladar
Não dá pra ficar sem ti
Deságua em mim
Há quem diga e estuda teu jeito de ser
De nos embriagar
Diz lá que tuas águas correm pros braços dos filhos
Das mulheres que lavam, que cantam e encantam
Dos homens dos braços fortes, dos laços e nós
Dos remos, do remanso
Dos mansos que deitam em ti
Deságua em mim
Tapa as feridas, Tapa nós…Tupaius…Tapajós…
Tuas curvas, tuas cores, tuas dores
Deságua em mim
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Diz uma voz de quem mora em ti
Que tu tens a cura,
Mandinga pura de quem vive de ti
Não tem como fugir
Dos teus laços, do teu abraço, que encontra e
Deságua em mim
Alimenta teu povo,
Que nasce, cresce e morre em ti
Acalma a gente
Enfurece nas noites quentes
E adormece profundo
Tapa as feridas, Tapa nós…Tupaius…Tapajós…
Tuas curvas, tuas cores, tuas dores
Deságua em mim
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* De Leíria Rodrigues, professora e jornalista amazônica nascida em Santarém do Tapajós.
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