Jeso Carneiro

Poetas amazônicos – Texto e vida

Náufrago

Foram tantas palavras,
ditas, escritas, rasgadas,
que minha vida ficou um texto inacabado.

Perdi o instante do sentir e expressar.
Perdi o momento da explosão.

Foram tantos passos,
em frente, em busca, ao redor,
que desequilibrei na hora do aportar.

Perdi a conexão do vôo.
Perdi a comunicação do olhar.

Foram tantos “nãos” repetidos,
que o sim também se fez não
no momento preciso.

Perdi o mistério dos teus olhos.
Afundei na magia do mar.

Naufraguei de tanto amar.

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De Lumar, poeta amazônica nascida em Santarém, do Tapajós.

Leia também dela:
Déja vú.
Concessão.
Terceiro elemento.

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