Jeso Carneiro

A melhor mãe do mundo

por Everaldo Martins Neto (*)

Você constantemente demonstra o quanto eu sou importante na sua vida. Vir lá de Senador José Porfírio a Hollywood pra me ver não é pra qualquer mãe! Mas pra que vocês entendam a diferença dela para as outras é necessário que eu os leve numa breve viagem no tempo, ao ano passado, por volta de agosto.

Fiz um apelo ao meu pai, Everaldo Martins: “Economize algum dinheiro e me mande pro lugar que mais me faz feliz nesse mundo: a cidade de Los Angeles, nos Estados Unidos”. Disse a ele que me deixasse no menor lugar, com as mais baratas comidas e gastando a menor quantidade de dinheiro possível. Mesmo assim, nas nossas contas, não era possível.

Eis que, num dos nossos jantares de família, ela, minha mãe, diz: “Vamos emprestar dinheiro do banco e você vai ficar estudando inglês lá por dois meses, mas com uma condição: que passe no vestibular”. Finalmente!

Nesse tempo, eu jogava no Paysandu, em Belém, e larguei o time pra estudar pro vestibular e, quem diria, eu passei! Devo ressaltar: minha mãe deixou várias vezes claro que eu passaria apenas os dois meses. Mas, no dia 7 de janeiro de 2013, por volta das 11 da noite, quando cheguei aqui nos EUA, eu passei a me esforçar mais que tudo que já me esforcei na vida pra ficar. Fazia várias viagens de 2 e 3h de ônibus e metrôs pra chegar nos lugares que eu precisava, entre outras coisas que qualquer dia, conto.

Caros, vos digo sem vergonha: eu falhei. Era mais difícil do que eu imaginava. Eu era um turista brasileiro que queria ficar aqui permanentemente. Um fato que vale a pena trazer aqui: eu estava com matrícula, mensalidade e tudo pronto pra começar a estudar engenharia no Cesupa, em Belém.

No dia primeiro de março, a dois dias da minha volta definitiva ao Brasil, eu estava acabado, muito triste mesmo, era uma quinta-feira à noite. Na sexta de manhã, a caminho do que eu acreditava ser meu último dia de aula, recebo uma mensagem no celular que dizia:

“Fiz um novo empréstimo e tô na correria aqui, mas você volta no dia 15 de abril pra estudar e, caso se comporte, vamos vender o apartamento, e talvez vamos ter dinheiro pra você fazer faculdade aí, onde você quer.”

Aquele momento significou uma realização pra mim. Ela viu que eu nunca tinha me esforçado daquele jeito. Eu voltei ao Brasil, como prometido. Quando desembarquei em Belém, ela simplesmente tinha cancelado a minha matrícula do Cesupa e usado o dinheiro pra comprar uma passagem pra irmos a Brasília trocar o meu visto de turista pra estudante, com tudo agendado lá e tudo pronto pra minha viagem de volta. Sensacional!

Tudo deu certo, e hoje eu faço faculdade em Santa Mônica, um dos lugares mais lindos do mundo e, como nunca, estou feliz! E ela veio passar o aniversário aqui comigo, mesmo no vermelho. O meu pai disse pra eu fazer algo inesquecível, mas não tinha ideias, tampouco dinheiro, mas deu pra comprar esse bolo e essas flores. O meu kitnet está lindo!

Não é que ela veio aqui e limpou tudo pra mim? Olha o tamanho desse amor! E como fico eu pra retribuir? Bom, eu já sei fazer ovo e miojo, ela me ensinou!

Meu amor, eu te amo! E eu não sei como retribuir tudo isso, mas prometo ficar grudado em você cada segundo possível. Feliz cinquenta anos! E que venham mais cinqüenta, sessenta, quinhentos, mil!

Obrigado por ser minha mãe! Você é a raiz da minha felicidade. Eu respeito todas as mães, mas não é demagogia quando eu digo que essa aqui é a melhor do mundo.

Parabéns, dona Socorro!

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* Santareno, mora nos EUA, onde faz faculdade.

 

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