
A Semana Mundial do Brincar nos convida a refletir sobre algo essencial: toda criança precisa de um espaço seguro para brincar, existir e se desenvolver com dignidade. Os efeitos dessa segurança emocional e social são imensuráveis no desenvolvimento infantil.
Quando uma criança encontra acolhimento, liberdade e proteção em suas experiências de brincar, ela fortalece sua autoestima, reconhece a si mesma como alguém importante e passa a compreender que pertence à comunidade ao seu redor.
É nesse espaço de cuidado que a criança constrói sua essência única, desenvolvendo sensibilidade para perceber suas próprias necessidades, compreender seus sentimentos e reconhecer também sua importância na vida das outras pessoas.
Em Alter do Chão, onde os índices de crianças em situação de vulnerabilidade e adolescentes expostos a diferentes riscos e estímulos preocupantes são cada vez mais alarmantes, torna-se urgente criar e fortalecer espaços seguros, saudáveis e afetivos.
Ambientes onde crianças e adolescentes possam experimentar uma visão positiva do mundo, desenvolver perspectivas de futuro e construir estilos de vida possíveis, estáveis e mais humanos para si mesmos e para toda a comunidade.
Antes de pedir que uma criança salve qualquer espaço, é preciso ensiná-la a amar. Amar a terra onde vive, as pessoas ao seu redor, a natureza, sua cultura e sua própria existência. O cuidado nasce do vínculo. Ninguém protege aquilo que nunca teve a oportunidade de sentir como seu.
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Quando uma criança cresce experimentando pertencimento, afeto e valorização, ela naturalmente desenvolve responsabilidade, consciência coletiva e desejo de preservar aquilo que ama.
Cuidar do brincar é, também, cuidar da maneira como as futuras gerações irão enxergar o mundo. É oferecer às crianças não apenas proteção, mas a possibilidade de crescerem com esperança, pertencimento e capacidade de transformar a realidade ao seu redor.

∎ Luanna Silva é de Santarém (PA), onde se fez e concluiu o curso superior em psicologia. Escreve regularmente no JC. Leia também dela: O luto das mulheres: um corpo, um alvo, o medo. E ainda: Julieta, sonho de palhaça em duas rodas fulminado.
∎ Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião do JC. A publicação deles obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros, prioritariamente, e de refletir as diversas tendências do pensamentos contemporâneo.
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