por Tiberio Alloggio (*)
Ditados populares como “quem semeia vento colhe tempestade” são maneiras simples e inteligentes de expressar a analogia entre uma ação e o seu resultado.
E como tudo em nossas vidas, o ciclo politico também se caracteriza por duas temporadas distintas: a safra, e a entressafra.
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A safra é o próprio período eleitoral, onde é permitida a realização da campanha eleitoral, que culmina no momento da colheita, no dia da eleição. Durante a safra, quem comanda o processo é o próprio eleitor, que na hora de digitar o seu voto, decide as eleições.
A entressafra é todo o período que decorre de uma eleição para outra, no qual (em tese) é proibido fazer campanha eleitoral, mas onde é permitido encabular o eleitor na base de pesquisas de intenções de voto. É o conhecido ganha-pão de colunistas e analistas políticos da grande mídia assistida e escrita.
Tais colunistas, com base no intuito e/ou conhecimento empírico, mas sobretudo no salário pago pelos seus patrões, ditam (supostamente em nome dos eleitores) o que os políticos deveriam fazer.
São eles que dizem ao Serra que deveria anunciar a sua candidatura o quanto antes. Que a chapa Serra-Aécio seria imbatível e que por isso deveria ser confirmada logo, antes que Dilma ocupe um espaço irrecuperável, etc, etc.
Dizem isso, aquilo e aquilo outro, porque acreditam possuir o dom de ouvir o povo, a voz do eleitor. Um dom que, segundo eles, os candidatos não têm.
Segundo eles, Lula assumiu a missão de eleger Dilma “custe o que custar”. E para tanto colou sua imagem nela, e que estaria numa suposta pré-campanha, que a levou a crescer assustadoramente nas pesquisas.
Com isso, Dilma estaria-se consolidando nos corações e mentes dos eleitores, como a melhor solução para a continuidade do Governo Lula, o mais amado dos brasileiros segundo os altíssimos índices de aprovação do seu governo.
Se assim for, Dilma já estará eleita. E não será Serra, nem Aécio e tampouco o Ciro ou a Marina Silva que irão conseguir demover o eleitorado grato ao presidente Lula, a votar em outra pessoa.
Ninguém duvida mais que o governo Lula representa um grande marco para o eleitor. É um governo aprovado pelo 80% da população. O que leva a concluir que quem for contra esse governo não terá o voto do eleitor.
Os que são contra são os integrantes da “opinião publicada”, aquela minoria alcançada pelos chamados “formadores de opinião”, mas que no dia da colheita representam menos de 20% da “opinião pública”. Que não decidem a eleição. E tampouco influem nela.
No entanto, ao iniciar a temporada da safra, Serra e/ou Aécio tentarão comunicar ao eleitor que não querem acabar com as conquistas do governo Lula, e que querem fazer melhor. Uma missão quase que impossível pelo fato de ter que descolar suas imagens da patética figura do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Um prato cheio para Dilma, que poderá desconstruir essas candidaturas, dizendo que seus adversários irão retomar as privatizações e acabar com as conquistas sociais do Governo Lula.
Ciro Gomes, se candidato, tentará mostrar que será o sucessor de Lula melhor que Dilma. Enquanto Marina Silva tentará sobreviver, mostrando que um “outro governo é possível”.
Diante do desenvolver da safra, os eleitores manterão suas preferências formada durante a entressafra ou poderão mudar de opinião?
Se a prevalecesse as pequisas da época da entressafra, as eleições nem seriam necessárias. E Serra (e não Lula) desde 2003 seria o presidente do Brasil.
Mas a verdadeira pergunta a qual devemos tentar responder é a seguinte: quanto a temporada da entressafra influirá na safra eleitoral de outubro?
Há um ditado popular que cai como uma luva a essa interrogação: “cada um colhe o que planta”.
Para os postulantes à Presidência da Republica não será diferente, quem plantou melhor terá a maior colheita.
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* É sociólogo e reside em Santarém. Escreve regularmente neste blog.