por Tiberio Alloggio (*)

A sabedoria popular nos ensina que os ciclos naturais, as atividades humanas e o próprio decorrer da nossa vida, se caracterizam por dois grandes momentos distintos: 1) O período da fecundação, da preparação, do plantio, etc.; 2) A época da da colheita, da safra, dos resultados, etc.

Ditados populares como “quem semeia vento colhe tempestade” são maneiras simples e inteligentes de expressar a analogia entre uma ação e o seu resultado.

E como tudo em nossas vidas, o ciclo politico também se caracteriza por duas temporadas distintas: a safra, e a entressafra.

A safra é o próprio período eleitoral, onde é permitida a realização da campanha eleitoral, que culmina no momento da colheita, no dia da eleição. Durante a safra, quem comanda o processo é o próprio eleitor, que na hora de digitar o seu voto, decide as eleições.

A entressafra é todo o período que decorre de uma eleição para outra, no qual (em tese) é proibido fazer campanha eleitoral, mas onde é permitido encabular o eleitor na base de pesquisas de intenções de voto. É o conhecido ganha-pão de colunistas e analistas políticos da grande mídia assistida e escrita.

Tais colunistas, com base no intuito e/ou conhecimento empírico, mas sobretudo no salário pago pelos seus patrões, ditam (supostamente em nome dos eleitores) o que os políticos deveriam fazer.

São eles que dizem ao Serra que deveria anunciar a sua candidatura o quanto antes. Que a chapa Serra-Aécio seria imbatível e que por isso deveria ser confirmada logo, antes que Dilma ocupe um espaço irrecuperável, etc, etc.

Dizem isso, aquilo e aquilo outro, porque acreditam possuir o dom de ouvir o povo, a voz do eleitor. Um dom que, segundo eles, os candidatos não têm.

Segundo eles, Lula assumiu a missão de eleger Dilma “custe o que custar”. E para tanto colou sua imagem nela, e que estaria numa suposta pré-campanha, que a levou a crescer assustadoramente nas pesquisas.

Com isso, Dilma estaria-se consolidando nos corações e mentes dos eleitores, como a melhor solução para a continuidade do Governo Lula, o mais amado dos brasileiros segundo os altíssimos índices de aprovação do seu governo.

Se assim for, Dilma já estará eleita. E não será Serra, nem Aécio e tampouco o Ciro ou a Marina Silva que irão conseguir demover o eleitorado grato ao presidente Lula, a votar em outra pessoa.

Ninguém duvida mais que o governo Lula representa um grande marco para o eleitor. É um governo aprovado pelo 80% da população. O que leva a concluir que quem for contra esse governo não terá o voto do eleitor.

Os que são contra são os integrantes da “opinião publicada”, aquela minoria alcançada pelos chamados “formadores de opinião”, mas que no dia da colheita representam menos de 20% da “opinião pública”. Que não decidem a eleição. E tampouco influem nela.

No entanto, ao iniciar a temporada da safra, Serra e/ou Aécio tentarão comunicar ao eleitor que não querem acabar com as conquistas do governo Lula, e que querem fazer melhor. Uma missão quase que impossível pelo fato de ter que descolar suas imagens da patética figura do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Um prato cheio para Dilma, que poderá desconstruir essas candidaturas, dizendo que seus adversários irão retomar as privatizações e acabar com as conquistas sociais do Governo Lula.

Ciro Gomes, se candidato, tentará mostrar que será o sucessor de Lula melhor que Dilma. Enquanto Marina Silva tentará sobreviver, mostrando que um “outro governo é possível”.

Diante do desenvolver da safra, os eleitores manterão suas preferências formada durante a entressafra ou poderão mudar de opinião?

Se a prevalecesse as pequisas da época da entressafra, as eleições nem seriam necessárias. E Serra (e não Lula) desde 2003 seria o presidente do Brasil.

Mas a verdadeira pergunta a qual devemos tentar responder é a seguinte: quanto a temporada da entressafra influirá na safra eleitoral de outubro?

Há um ditado popular que cai como uma luva a essa interrogação: “cada um colhe o que planta”.
Para os postulantes à Presidência da Republica não será diferente, quem plantou melhor terá a maior colheita.

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* É sociólogo e reside em Santarém. Escreve regularmente neste blog.

Nota do editor: textos, fotos, vídeos, tabelas e outros materiais publicados no espaço "comentários" não refletem necessariamente o pensamento do Site Jeso Carneiro, sendo de total responsabilidade do(s) autor(es) as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.

4 Comentários em: Colhendo o que se planta

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  • Maradona disse:

    O Paraculo veio desta vez disfarçado de James para falar as mesma ninharias de sempre.
    Dor de cotovelo insuportavél.

  • Tiberio Alloggio disse:

    James(?)

    Se fosse como você sustenta (Lula apenas a continuação do FHC e seu sucesso oriundo dele) …O PSDB teria apoiado o Governo Lula durante seus dois mandatos. Seria sua base de governo e não teria gastado seu tempo na ridícula tentativa de derruba-lo.
    Alckmin nem teria sido candidato e hoje todos estariam apoiando a candidatura de Dilma.

    Se o sucesso do Brasil veio de onde você diz, porque tá com todas essa raiva de Lula e do PT? Que só cumpriram tabela com a tucanada?

    James(?) Preconceito ideológico é coisa de quem não tem ideias. Só obsessões fixas…e o unico sentimento que produz é o ódio e o desejo de acabar com quem pensa diferente.

    Seu problema é que não entende nada de processo politico, não consegue nem ver a falta de lógica no seu proprio raciocínio. Uma hora vocês são contra a Bolsa Esmola, outra oura reivindicam a paternidade dele. Isso chama-se de esquizofrenia.

    Por isso essa sua viagem toda na maionese.

    Tiberio Alloggio

    Tiberio Alloggio

    1. guilherme marssena disse:

      Valeu Tibério peia nesta VIRALATICE DIREITOSA que assola esta querida Pérola do Tapajós.Conte com a minha solidariede e o meu apoio. Guilherme Marssena

  • james oliveira disse:

    “No entanto, ao iniciar a temporada da safra, Serra e/ou Aécio tentarão comunicar ao eleitor que não querem acabar com as conquistas do governo Lula, e que querem fazer melhor. Uma missão quase que impossível pelo fato de ter que descolar suas imagens da patética figura do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.”

    Será Cara-palidíssimo, que Lula teria sido eleito em 2002 se não tivesse se comprometido, à revelia do PT, que iria salvaguardar as conquistas do governo FHC? Será, sr. tibério das Fantasias mal Elaboradas, que lula teria sido eleito se não se comprometese com a manutenção da estabilidade econômica?, com a preservação da política fiscal? com a manutenção do superávit fiscal, ao qual o PT se opunha e que no poder Lula ampliou? Será que lula teria sido eleito se não tivesse deixado de ser o lula do PT e se tornar o Lula do Delfim Neto e da sensatez?

    Sr. Tibério, divirta-nos, mas com tiradas menos estabanadas. Seja, nas suas alucinações, menos bronco, menos tosco, menos lunático. As suas visões são tão terrivelmente desconexas com a realidade que é o caso de se pensar se o Sr. não é um ordinário exemplar de grotescos piadistas e comediantes que tentam alegrar a platéia com fúteis, banais, e desprovidas de sentido, piadinhas.